IA influencia decisões de consumo, diz pesquisa
(Imagem: Imagem criada por IA)
A inteligência artificial (IA) está ganhando espaço nas decisões de consumo dos brasileiros. Segundo a pesquisa Prompt-me, realizada pela agência Fbiz em parceria com a On The Go, 46% dos usuários de IA recorrem à tecnologia para pesquisar produtos ou serviços antes de realizar uma compra.
O levantamento ouviu 1.200 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país e das classes sociais A a E, entre 23 de julho e 3 de agosto de 2026. Entre os entrevistados, 80% afirmaram utilizar pelo menos uma ferramenta de inteligência artificial no dia a dia. Outros 42% disseram recorrer à tecnologia várias vezes ao dia, enquanto 44% a utilizam algumas vezes por semana.
Os resultados apontam uma mudança na maneira como os consumidores buscam informações. Além de consultar sites, buscadores e redes sociais, parte do público passou a utilizar a IA para comparar alternativas, esclarecer dúvidas e receber recomendações antes de escolher um produto ou serviço.
Para o especialista em marketing digital, performance e crescimento empresarial Leandro Ferrari, essa transformação exige que as marcas revejam suas estratégias de presença digital.
“A empresa não está mais disputando apenas a atenção do consumidor. Ela também precisa estar presente quando esse consumidor pergunta para uma inteligência artificial qual produto escolher, quais opções comparar ou qual serviço faz mais sentido para ele. Isso cria uma nova etapa na jornada de compra”, afirma.
Empresas precisam se adaptar às recomendações da IA
A pesquisa mostra que o uso da inteligência artificial vai além das compras. As ferramentas também são utilizadas para melhorar textos, analisar dados, automatizar tarefas profissionais e esclarecer dúvidas. Em média, os entrevistados conhecem 5,2 ferramentas de IA e já utilizaram 3,4 delas.
No processo de consumo, a tecnologia pode entrar em cena antes mesmo de o cliente visitar o site de uma empresa. Em vez de procurar diretamente uma marca, o usuário pode descrever o que precisa e pedir à IA que apresente opções ou compare características de diferentes produtos.
“A lógica muda porque o consumidor pode começar a jornada fazendo uma pergunta e não procurando diretamente uma marca. Para as empresas, isso aumenta a importância de ter informações claras, conteúdo consistente e uma reputação digital capaz de sustentar a forma como a marca será apresentada pela IA”, explica Ferrari.
A mudança não significa que buscadores e redes sociais estejam perdendo sua importância. Essas plataformas continuam fazendo parte da jornada de compra, mas agora dividem espaço com ferramentas capazes de reunir informações e apresentar respostas personalizadas.
Segundo o especialista, as empresas precisam prestar atenção à maneira como seus produtos e serviços são descritos e compreendidos pelas ferramentas de inteligência artificial.
“Não é uma questão de abandonar os canais que já funcionam. É entender que surgiu um novo ambiente de descoberta. A empresa precisa pensar em como apresenta seus produtos, como constrói autoridade e quais informações está deixando disponíveis para que essas ferramentas consigam compreender corretamente o negócio”, ressalta.
Confiança continua decisiva
Com a entrada da IA no processo de pesquisa, informações atualizadas sobre produtos, avaliações de consumidores, reputação e conteúdo digital ganham importância para a visibilidade das empresas.
Ferrari destaca, porém, que aparecer em uma resposta gerada por inteligência artificial não é suficiente para conquistar um cliente.
“A inteligência artificial está mudando a maneira como o consumidor pesquisa, mas a decisão continua dependendo da confiança que ele desenvolve em uma marca. Por isso, as empresas precisam combinar tecnologia, conteúdo, posicionamento e experiência. Não basta ser citado por uma IA: é preciso fazer sentido para quem está do outro lado da tela”, conclui.
Os resultados da pesquisa indicam que a inteligência artificial já se tornou mais um canal de consulta na jornada de consumo. Para as empresas, o desafio passa a ser manter a relevância não apenas nos mecanismos tradicionais de busca, mas também nas respostas que os consumidores recebem das ferramentas de IA.