A prestação de contas estava atualizada até sexta-feira (25)
(Imagem: Ricardo Stuckert | Charles Vieira)
A menos de uma semana do primeiro turno das Eleições 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já somam R$ 122,8 milhões em despesas declaradas à Justiça Eleitoral. Os dados constam no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultado pela reportagem nesta segunda-feira (28).
Lula declarou R$ 65,68 milhões em despesas, dos quais R$ 34,7 milhões já haviam sido efetivamente pagos. A prestação de contas estava atualizada até sexta-feira (25).
Na campanha do petista, a maior concentração de despesas está em serviços prestados por terceiros, com R$ 40,77 milhões, equivalentes a 62,08% do total. Em seguida aparecem eventos de promoção da candidatura, com R$ 6,34 milhões; serviços advocatícios, R$ 4,02 milhões; publicidade por adesivos, R$ 3,83 milhões; e materiais impressos, R$ 3,13 milhões.
Flávio Bolsonaro declarou R$ 57,20 milhões em despesas, dos quais R$ 38,99 milhões já haviam sido pagos, conforme atualização de sábado (26).
No caso do candidato do PL, os serviços prestados por terceiros também representam a maior parcela dos gastos: R$ 41,65 milhões, ou 72,82%. Depois aparecem serviços advocatícios, com R$ 3,33 milhões; transporte ou deslocamento, R$ 3,15 milhões; publicidade por adesivos, R$ 3,13 milhões; e impulsionamento de conteúdos, R$ 1,9 milhão.
O limite de gastos estabelecido para uma candidatura à Presidência no primeiro turno é de R$ 88,94 milhões.
Entre os outros candidatos à Presidência consultados pela reportagem, Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 24,54 milhões em despesas; Romeu Zema (Novo), R$ 4,32 milhões; Renan Santos (Missão), R$ 1,28 milhão; e Augusto Cury (Avante), R$ 440,1 mil.
As datas das últimas atualizações variam entre as campanhas. Os dados de Caiado são de 18 de setembro; os de Zema e Cury, do dia 22; os de Lula, do dia 25; os de Flávio Bolsonaro, do dia 26; e os de Renan Santos, do dia 27. Dessa forma, os números representam momentos diferentes das prestações de contas.
Impulsionamento cresce nas eleições
Os gastos para ampliar o alcance de conteúdos nas redes sociais ganharam peso nas Eleições 2026. Levantamento publicado pelo UOL na quinta-feira (24) mostrou que as campanhas haviam destinado R$ 167,3 milhões à Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, até o dia 23. O montante já supera os R$ 155,4 milhões registrados durante toda a eleição de 2022, em valores corrigidos pela inflação. Segundo o levantamento, as despesas com esse recurso cresceram 316% entre as eleições presidenciais de 2018 e 2026.
Os dados do UOL consideram os anúncios registrados na Biblioteca da Meta entre 22 de agosto e 20 de setembro. Já o DivulgaCandContas reúne as despesas informadas pelas campanhas à Justiça Eleitoral, com atualizações posteriores. Por isso, os valores podem apresentar diferenças.
No período analisado pelo UOL, Lula aparece com R$ 4,7 milhões em anúncios na Meta. Na prestação de contas ao TSE, o Facebook figura entre os principais fornecedores da campanha, com R$ 2,59 milhões. A rubrica de impulsionamento, porém, não aparece entre as cinco maiores despesas divulgadas no painel.
No caso de Flávio Bolsonaro, a prestação apresentada ao TSE identifica diretamente R$ 1,9 milhão em despesas com impulsionamento de conteúdos, equivalente a 3,32% dos R$ 57,2 milhões declarados pela campanha. Na Biblioteca da Meta, considerando o período analisado pelo UOL, o valor era de R$ 702 mil.
Tarcísio declara R$ 24,9 milhões em despesas
Na disputa pelo Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou R$ 24,97 milhões em despesas, segundo os dados do DivulgaCandContas atualizados até sábado (26). Desse total, R$ 18,69 milhões já haviam sido pagos.
A maior parcela dos gastos é com serviços prestados por terceiros, que somam R$ 10,22 milhões, ou 40,93% do total. A produção de programas de rádio, televisão ou vídeo soma R$ 3,96 milhões; serviços advocatícios, R$ 3,7 milhões; impulsionamento de conteúdos, R$ 3,34 milhões; e publicidade por materiais impressos, R$ 1,03 milhão.
Fernando Haddad (PT) declarou R$ 13,96 milhões em despesas, dos quais R$ 13,32 milhões já estavam pagos, conforme os dados atualizados até sexta-feira (25).
Mais da metade dos gastos da campanha de Haddad está concentrada na produção de programas de rádio, televisão ou vídeo: R$ 7,9 milhões, ou 56,58% do total. O impulsionamento de conteúdos aparece em seguida, com R$ 2,52 milhões, ou 18,10%. A campanha declarou ainda R$ 1,89 milhão em serviços advocatícios e R$ 449,4 mil em serviços contábeis. No ranking de fornecedores, os R$ 2,52 milhões destinados ao impulsionamento aparecem vinculados ao Facebook Serviços Online do Brasil.
O limite de gastos para as campanhas ao Governo de São Paulo no primeiro turno é de R$ 26,68 milhões.