Agora, consumidor pode ajustar limite do Pix por aproximação
(Imagem: Imagem criada por IA)
O Pix por aproximação deixou de ter, desde quinta-feira (1º de outubro), o teto fixo de R$ 500 por transação. Com a mudança determinada pelo Banco Central (BC), pagamentos de valores maiores passam a ser permitidos pela modalidade, desde que respeitem os limites estabelecidos para a conta do usuário.
Mas atenção: a mudança não vale para pagamentos feitos por aproximação com cartões de débito ou crédito, que seguem regras próprias. O Pix por aproximação é realizado com celular ou relógio inteligente.
Na prática, isso não significa que o Pix por aproximação passou a ser ilimitado. A nova regra permite que o cliente solicite à instituição financeira o aumento ou a redução tanto do valor máximo de cada transação quanto do limite diário, seguindo a mesma lógica aplicada às demais formas de pagamento via Pix.
Até quarta-feira (30), havia um teto específico de R$ 500 para cada operação feita por aproximação. O usuário também podia estabelecer um limite máximo diário. A restrição por transação foi retirada pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho, com entrada em vigor em 1º de outubro.
Segundo o BC, a alteração busca dar mais flexibilidade à ferramenta e aproximar seu funcionamento do Pix convencional, feito, por exemplo, por chave ou leitura de QR Code.
“Ao permitir que o usuário ajuste o limite do Pix por aproximação dentro dos canais da sua instituição, a nova regra torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema”, explicou Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, quando a mudança foi anunciada.
Como funciona o Pix por aproximação
A modalidade permite pagar uma compra aproximando o celular ou relógio inteligente de uma maquininha compatível, de maneira semelhante ao pagamento por aproximação com cartões de débito e crédito.
A tecnologia utilizada é a NFC (Near Field Communication, ou comunicação por campo de proximidade), que permite a troca de informações entre dispositivos que estejam próximos. A oferta da funcionalidade é facultativa para bancos, carteiras digitais e provedores de maquininhas.
Por isso, ter um aparelho com NFC não significa, por si só, que o Pix por aproximação estará disponível. É preciso que o banco ou carteira digital ofereça a funcionalidade, que o sistema operacional seja compatível e que a maquininha do estabelecimento esteja habilitada para esse tipo de operação.
Como pagar
Há duas formas previstas pelo Banco Central. Quando o recurso é oferecido diretamente pelo aplicativo do banco, o cliente abre o app, passa pela autenticação, aproxima o aparelho da maquininha, confere as informações da compra e confirma o pagamento. Nesse caso, não é necessário vincular previamente a conta a uma carteira digital.
Outra possibilidade é usar uma carteira digital compatível. Nesse modelo, é necessário vincular a conta bancária à carteira, procedimento semelhante ao cadastro de um cartão. O usuário é direcionado à instituição financeira para autorizar a vinculação, que precisa ser realizada apenas uma vez. A integração utiliza os mecanismos de compartilhamento de dados e iniciação de pagamentos do Open Finance.
Depois da configuração, basta selecionar o Pix como forma de pagamento, aproximar o celular ou relógio da maquininha e seguir as etapas de autenticação e confirmação exibidas no aparelho.
O processo dispensa a leitura de QR Code e a digitação de chave Pix ou de outros dados do recebedor. Antes de concluir a operação, porém, o consumidor deve conferir as informações apresentadas, especialmente o valor e o destinatário do pagamento.
Segundo o Banco Central, as transações utilizam mecanismos de autenticação do dispositivo, como senha ou biometria, além de criptografia. Os padrões de segurança também exigem que os dados do pagamento sejam apresentados ao usuário antes da confirmação.
Limite pode ser alterado
Com o fim do teto específico de R$ 500, o Pix por aproximação passa a seguir as regras gerais de limites aplicáveis ao Pix. Isso permite, por exemplo, que uma pessoa mantenha um valor menor para pagamentos por segurança ou solicite um limite maior quando precisar fazer compras de valor mais elevado.
A alteração também vale para pagamentos iniciados pela chamada Jornada Sem Redirecionamento (JSR) do Open Finance, usada em carteiras digitais compatíveis. Segundo o BC, a intenção é reduzir diferenças entre modalidades que oferecem ao consumidor experiências semelhantes de pagamento.
Recurso ainda não funciona no iPhone
Atualmente, o Pix por aproximação está disponível apenas em celulares com sistema Android, por meio de soluções compatíveis, como a Carteira do Google e a Samsung Wallet.
Apesar de os iPhones terem tecnologia NFC, necessária para pagamentos por aproximação, a modalidade ainda não está disponível nos aparelhos da Apple no Brasil. A empresa ainda não liberou a integração necessária para que as carteiras digitais atuem como iniciadoras das transações do Pix nos moldes exigidos pelo sistema brasileiro.
Com isso, usuários de iPhone continuam dependendo de outras formas de Pix, como leitura de QR Code, Pix Copia e Cola ou transferência por chave.