O fechamento das lojas ocorre em meio a uma disputa judicial
(Imagem: Reprodução/Casas Bahia)
A Casas Bahia fechou quatro das 16 lojas que mantinha na região, sendo duas em Barueri e duas em Osasco. Em Barueri, foram encerradas as unidades do Shopping Tamboré e do Parque Shopping Barueri.
A informação foi confirmada à Folha de Alphaville pela assessoria do Grupo Casas Bahia. Segundo a companhia, os fechamentos fazem parte das medidas adotadas na Fase 2 de seu Plano de Transformação, em meio ao processo de recuperação judicial.
Entre as primeiras ações dessa nova etapa está o fechamento de 298 lojas consideradas de baixo desempenho em todo o país, além da redução estrutural de custos e despesas. A companhia também prevê revisão dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, redução de investimentos e medidas para diminuir o custo financeiro.
Procurada pela reportagem, a assessoria do Grupo Casas Bahia não informou as datas em que as unidades encerraram as atividades nem o número de funcionários impactados pelos fechamentos. A Folha de Alphaville também procurou o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor), mas ainda não havia recebido retorno até a publicação desta matéria.
Demissões foram suspensas pela Justiça
O fechamento das lojas ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo as demissões realizadas durante a reestruturação do Grupo Casas Bahia. A Justiça do Trabalho suspendeu os efeitos das dispensas coletivas feitas em agosto e determinou o restabelecimento provisório dos vínculos e benefícios dos trabalhadores atingidos.
A decisão também impede novas demissões coletivas relacionadas ao processo de reestruturação sem a participação prévia dos sindicatos. Em setembro, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitou uma tentativa da companhia de suspender a liminar, que continua em vigor enquanto o caso segue em discussão.
A determinação, porém, não obriga a Casas Bahia a reabrir as lojas fechadas. Os trabalhadores abrangidos podem ser realocados para outras unidades ou atividades ou permanecer afastados com remuneração enquanto vigorar a decisão.
Recuperação judicial
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em agosto. De acordo com a companhia, o processo envolve pagamentos de aproximadamente R$ 17,3 bilhões a bancos, fundos de investimentos, seguradoras e fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
A empresa atribuiu a decisão a um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. Segundo o CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, as medidas adotadas anteriormente para redução do endividamento e aumento da eficiência não foram suficientes diante das mudanças no cenário econômico.
No segundo trimestre deste ano, a companhia informou que sua alavancagem financeira havia recuado para 0,5 vez o EBITDA ajustado, ante 2,2 vezes no mesmo período de 2025. O fluxo de caixa livre chegou a R$ 800 milhões no trimestre, contra R$ 173 milhões um ano antes.
A recuperação judicial, segundo o grupo, não interrompe suas atividades. A companhia afirma que continuará operando nos canais físicos e digitais, atendendo clientes e fornecedores enquanto executa as medidas previstas no plano de transformação.