Polícia Civil segue com as investigações
(Imagem: Milton Michida/Governo do Estado de SP)
Uma sequência de homicídios registrados em menos de um mês em diferentes regiões da cidade de São Paulo provocou especulações nas redes sociais sobre a possível atuação de um serial killer. Entre 5 de setembro e 2 de outubro, ao menos cinco corpos foram encontrados dentro de sacos plásticos, cobertores ou divididos em sacolas.
Apesar das semelhanças apontadas por internautas, não há, até o momento, indícios de que os crimes estejam relacionados ou tenham sido cometidos pela mesma pessoa, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP). As ocorrências são investigadas individualmente pela Polícia Civil.
A SSP informou a veículos de imprensa nesta terça-feira (6) que os casos apresentam locais, dinâmicas e métodos distintos. Segundo a pasta, o fato de sacos plásticos ou tecidos terem sido utilizados para envolver algumas das vítimas não é suficiente para estabelecer uma conexão, já que esses materiais podem ter sido usados simplesmente para transportar ou ocultar os cadáveres.
Nos casos em que as vítimas já foram identificadas, equipes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) trabalham com suspeitos e possíveis motivações. Entre as linhas de investigação estão vingança e justiçamento, além de circunstâncias específicas de cada homicídio. Todos têm inquéritos instaurados.
Casos começaram no início de setembro
A sequência que despertou a atenção nas redes começou em 5 de setembro. Naquela manhã, garis encontraram o corpo de um homem dentro de um saco plástico preto na Rua Contos Gauchescos, na região do Jabaquara, zona sul. O cadáver estava amarrado com cordas e foi localizado durante a limpeza da via.
A vítima não havia sido identificada nas informações divulgadas pela polícia. O caso foi registrado como homicídio no 16º Distrito Policial (Vila Clementino), com apoio do DHPP.
Cinco dias depois, em 10 de setembro, dois corpos foram encontrados em um intervalo inferior a 24 horas na zona leste, em pontos separados por cerca de três quilômetros.
Um deles estava em um terreno baldio na Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia. O cadáver estava amarrado, enrolado em um cobertor e com a cabeça coberta por sacos plásticos. A chuva prejudicou o trabalho inicial da perícia e, naquele momento, não foi possível determinar nem mesmo o sexo da vítima ou a existência de ferimentos.
O outro corpo, de uma mulher, foi localizado na Rua Osmano Ungaretti, na Vila Chuca. Ela também estava envolvida em um cobertor e dentro de um saco plástico, mas apresentava ferimento provocado por disparo de arma de fogo. Os dois casos foram registrados no 53º Distrito Policial (Parque do Carmo). A polícia já afirmava, naquele momento, que não havia confirmação de relação entre as ocorrências.
Corpo esquartejado foi encontrado no Jaçanã
O quarto caso ocorreu em 19 de setembro e tem características diferentes dos anteriores.
Partes do corpo de um homem foram encontradas dentro de sacolas plásticas em um barranco na Rua Antônio Nascente, no Jaçanã, zona norte. Bombeiros e policiais precisaram utilizar técnicas de rapel para acessar a área e localizar outras partes do cadáver.
A vítima foi identificada como Murilo Sanches dos Santos, de 26 anos, que estava desaparecido havia cerca de dez dias. Durante as buscas, também foram encontrados roupas e uma faca. O caso foi registrado no 73º Distrito Policial (Jaçanã) como homicídio com ocultação e destruição de cadáver.
Homem foi achado próximo ao CT do Corinthians
O caso mais recente ocorreu em 2 de outubro. O corpo de um homem foi encontrado dentro de um saco plástico em uma área de mata na ciclovia da Via Parque, nas imediações do Parque Ecológico do Tietê e próximo ao CT Joaquim Grava, do Corinthians, na zona leste.
A vítima estava com braços e pernas amarrados com fita adesiva. Um estojo de munição também foi localizado junto ao corpo. Até as últimas informações divulgadas, o homem não havia sido identificado.
O caso foi registrado como homicídio no 24º Distrito Policial (Ponte Rasa) e passou a ser investigado pelo DHPP.
Teoria ganhou força nas redes
A proximidade temporal entre os crimes e o fato de os cadáveres terem sido encontrados envolvidos em sacos, cobertores ou sacolas fizeram surgir nas redes sociais comparações entre as ocorrências. Perfis dedicados a casos criminais passaram a reunir os episódios e a apontar um possível padrão, alimentando a hipótese de que um assassino em série estaria agindo na capital.
A investigação policial, entretanto, não sustenta essa conclusão até agora. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, delegado Nico Gonçalves, afirmou inicialmente que ainda era cedo para determinar as circunstâncias dos crimes ou falar na existência de um serial killer. Posteriormente, a SSP informou que as apurações realizadas até o momento não encontraram elementos que indiquem ligação entre os homicídios ou uma mesma autoria.