Ancelotti tornou-se o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira em caráter permanente desde o argentino Filpo Núñez
(Imagem: Rafael Ribeirorio / CBF Oficial)
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) oficializou nesta quinta-feira (14) a renovação do contrato do técnico Carlo Ancelotti com a Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2030.
O novo vínculo amplia em quatro anos o acordo inicialmente firmado com o treinador italiano, que terminaria após o Mundial de 2026, e consolida a aposta da entidade em um projeto de longo prazo para recolocar o Brasil no topo do futebol mundial.
O anúncio ocorre a menos de um mês do início da Copa do Mundo FIFA de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, e representa um movimento raro na história recente da Seleção, marcada por trocas frequentes de comando técnico após grandes competições. A renovação também reforça a confiança da CBF no trabalho desenvolvido por Ancelotti desde sua chegada ao cargo, em maio de 2025.
Em nota divulgada no site entidade, Ancelotti agradeceu a confiança recebida e afirmou que pretende seguir construindo um ambiente competitivo para a equipe brasileira.
“Há um ano cheguei ao Brasil. Desde o primeiro minuto, entendi o que o futebol significa para este país. Há um ano, estamos trabalhando para levar a Seleção Brasileira de volta ao topo do mundo. Mas a CBF e eu queremos mais. Mais vitórias, mais tempo, mais trabalho. Estamos muito felizes em anunciar que continuaremos juntos por mais quatro anos. Vamos juntos até a Copa do Mundo de 2030. Quero agradecer a CBF pela confiança. Obrigado, Brasil, pela calorosa recepção e por todo o carinho”, afirmou o técnico.
O presidente da CBF, Samir Xaud, também comemorou a renovação de contrato: “Hoje é um dia histórico para a CBF e para o futebol brasileiro. A renovação de Carlo Ancelotti representa mais um passo firme do nosso compromisso de oferecer à Seleção pentacampeã do mundo uma estrutura cada vez mais forte, moderna e competitiva. Trabalhamos diariamente para manter o Brasil no mais alto nível do futebol mundial, sem deixar de olhar com atenção para o desenvolvimento das demais seleções, das competições organizadas pela CBF e o fortalecimento de clubes e federações em todo o país”.
Histórico no Brasil
Desde que assumiu a Seleção, Ancelotti comandou dez partidas, acumulando cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Nesse período, o Brasil marcou 18 gols e sofreu oito. Apesar do desempenho ainda em construção, a CBF avalia positivamente o início do trabalho, especialmente pela reorganização tática da equipe e pela relação construída entre o treinador e o elenco.
A contratação do italiano em 2025 encerrou uma longa novela envolvendo a entidade brasileira e o então técnico do Real Madrid. Durante anos, dirigentes da CBF tentaram convencer Ancelotti a assumir a equipe nacional, mas o treinador permaneceu no clube espanhol até o fim da temporada europeia de 2024/2025. Sua chegada à Seleção foi tratada como uma das maiores investidas da história recente da confederação brasileira.
Ancelotti tornou-se o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira em caráter permanente desde o argentino Filpo Núñez, que dirigiu o Brasil em uma partida amistosa em 1965. Multicampeão por clubes europeus, o treinador soma cinco títulos da Liga dos Campeões da UEFA e passagens históricas por equipes como AC Milan, Chelsea FC, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Real Madrid.
Nos bastidores, a renovação também é interpretada como uma tentativa da CBF de reduzir a pressão política e esportiva sobre a comissão técnica em meio à preparação para o Mundial de 2026. A entidade busca evitar o cenário de instabilidade vivido após as últimas Copas, quando mudanças rápidas de comando afetaram projetos esportivos e processos de renovação do elenco.
Além da disputa do próximo Mundial, Ancelotti terá como missão conduzir a transição geracional da Seleção Brasileira, administrar o retorno de jogadores lesionados e consolidar uma nova espinha dorsal para o ciclo até 2030. A expectativa é que a próxima convocação do treinador, prevista para os próximos dias, já traga sinais da estratégia que será adotada para a Copa de 2026.
Pentacampeão mundial, o Brasil não conquista uma Copa desde 2002. Agora, com Ancelotti garantido até 2030, a CBF aposta em estabilidade, planejamento e experiência internacional para tentar encerrar o maior jejum da história da Seleção em mundiais.