A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, por unanimidade, o projeto do Governo de São Paulo que eleva o salário mínimo paulista para R$ 1.874 em 2026.
O PL 386/2026 , aprovado na última quarta-feira (13), segue agora para sanção do governador Tarcísio de Freitas e representa um reajuste acumulado de 46% em comparação ao piso estadual de 2022, quando o valor era de R$ 1.284. Com relação ao valor atual, representa um aumento de R$ 70,36.
Na justificativa do projeto, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico argumentou que "A iniciativa insere-se no conjunto de políticas públicas voltadas à valorização do trabalho, à preservação do poder de compra da população de menor renda, à inclusão produtiva e à redução das desigualdades regionais".
Com o novo valor, o piso paulista ficará R$ 253 acima do salário mínimo nacional atual, fixado em R$ 1.621, consolidando São Paulo entre os Estados com maior remuneração mínima regional do país.
O reajuste também supera a inflação acumulada no período medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), de 19,5%, e avança acima do crescimento nominal do piso nacional nos últimos quatro anos, estimado em 33,7%.
Categorias abrangidas
O salário mínimo estadual vale para trabalhadores da iniciativa privada que não possuem piso salarial definido por convenções coletivas ou legislação federal específica. Em São Paulo, mais de 70 categorias profissionais são abrangidas pela medida, incluindo empregados domésticos, cuidadores, auxiliares de serviços gerais, trabalhadores agropecuários, motoboys e profissionais administrativos.
Durante a tramitação do projeto, o governo paulista argumentou que o reajuste busca preservar o poder de compra dos trabalhadores diante do custo de vida elevado no Estado e fortalecer a renda das famílias.
Em manifestação divulgada após a aprovação, Tarcísio afirmou que o aumento amplia oportunidades econômicas e reforça a política estadual de valorização salarial.
“Com o novo valor do salário mínimo paulista, chegamos a R$ 590 a mais do que era pago há quatro anos. Uma valorização que chega a 46% no período e que beneficia mais de 70 categorias previstas em lei. O novo piso gera oportunidades para que São Paulo avance na direção certa, com desenvolvimento econômico que dá mais dignidade e poder de compra para nossos trabalhadores”, defendeu o governador.
Além do reajuste do piso regional, os deputados estaduais também aprovaram um abono complementar para servidores públicos estaduais que recebem abaixo do novo mínimo paulista. A medida deverá beneficiar cerca de 89 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas, segundo estimativas apresentadas durante a votação.
A aprovação ocorre em meio ao debate nacional sobre valorização salarial e desigualdade regional no mercado de trabalho. Enquanto o piso federal serve de referência para todo o país, estados como São Paulo adotam salários mínimos regionais superiores para categorias específicas, considerando diferenças de custo de vida e dinâmica econômica local.
O novo salário mínimo paulista deverá entrar em vigor após a sanção e publicação oficial da lei pelo Executivo estadual.