O Pix alcançou 34% das transações presenciais
(Imagem: Imagem criada por IA)
O Pix ultrapassou os cartões de crédito em volume transacionado no comércio eletrônico brasileiro e consolidou o Brasil como uma das principais referências globais em pagamentos instantâneos. Dados do relatório Global Payments Report 2026 mostram que o sistema criado pelo Banco Central do Brasil respondeu por 42% do valor movimentado no e-commerce nacional em 2025, enquanto os cartões de crédito ficaram com 40%.
Nas lojas físicas, a diferença também diminuiu. O Pix alcançou 34% das transações presenciais, contra 31% dos cartões de crédito. Somados crédito e débito, os cartões ainda mantêm liderança, mas a tendência apontada pelo estudo é de avanço contínuo do sistema brasileiro até o fim da década.
A projeção da Global Payments indica que até 2030 o Pix deverá representar 44% do comércio eletrônico e 46% das compras presenciais no Brasil, ultrapassando definitivamente os cartões tradicionais em participação de mercado.
O relatório também destaca o impacto do Pix na redução do uso de dinheiro em espécie no país. Hoje, o Brasil já apresenta um nível de circulação de dinheiro físico inferior ao de países europeus como Alemanha, Espanha e Itália.
Criado em 2020, o sistema transformou rapidamente os hábitos financeiros dos brasileiros. Além da velocidade das transações, especialistas atribuem o crescimento à gratuidade para pessoas físicas, à integração com aplicativos bancários e à forte adesão do varejo.
O avanço do Pix também pressiona bancos, maquininhas e operadoras de cartão. O crescimento das transferências diretas entre contas reduz a dependência de intermediários financeiros e ameaça receitas históricas do setor de adquirência.
Desafio internacional
Ao mesmo tempo, o modelo brasileiro desperta atenção internacional. Segundo Juan Pablo D’Antiochia, líder regional da Global Payments, o Pix se tornou um “caso de estudo” pela velocidade de adoção, pela capacidade de inclusão financeira e pelo alcance em diferentes camadas da população.
Apesar do sucesso, a expansão internacional do sistema enfrenta obstáculos importantes nos Estados Unidos e na Europa. O principal desafio é cultural e estrutural. Enquanto o Brasil popularizou pagamentos por QR Code em larga escala, americanos e europeus avançaram em outro caminho: as carteiras digitais integradas a smartphones, como Apple Pay, Google Pay e soluções bancárias próprias.
Nos Estados Unidos, o mercado continua fortemente concentrado em cartões de crédito e plataformas privadas como Zelle, Venmo e Cash App. Já na Europa, o sistema bancário fragmentado entre diferentes regulações nacionais dificulta a implementação de um modelo unificado semelhante ao brasileiro.
O relatório também aponta que a internacionalização do Pix depende de acordos bilaterais entre países, o que torna o processo mais lento. Nesse cenário, stablecoins e sistemas baseados em blockchain começam a surgir como concorrentes relevantes nas transações internacionais.
“Vejo um desafio da internacionalização enquanto depender do acordo de um para um”, afirmou D’Antiochia à revista Exame. Segundo ele, stablecoins já possuem infraestrutura global mais preparada para pagamentos transfronteiriços.
Mesmo com os desafios externos, o Pix já começa a influenciar debates internacionais sobre o futuro do dinheiro digital. Em fóruns on-line e discussões internacionais, usuários frequentemente apontam o sistema brasileiro como exemplo de rapidez, baixo custo e eficiência frente aos modelos tradicionais de cartões e transferências bancárias.
No Brasil, a próxima etapa será ampliar ainda mais o ecossistema criado pelo Banco Central. Ferramentas como Pix Automático, crédito integrado e novas soluções para pagamentos recorrentes devem aprofundar a transformação digital do sistema financeiro brasileiro nos próximos anos.