Barueri e Santana de Parnaíba somam mais de 280 mil veículos
(Imagem: Felipe Barros/Photos)
O avanço da frota de veículos em Barueri e Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, tem ocorrido em ritmo acelerado na última década e pressiona a mobilidade urbana nas duas cidades. Entre 2015 e 2025, os principais indicadores apontam crescimento consistente no número de veículos, com variações que chegam a quase 40%.
Em Barueri, os emplacamentos saltaram de 7.845 para 10.390 no período — um aumento de aproximadamente 32%. Em Santana de Parnaíba, a alta foi mais moderada, de 4.769 para 5.814, o que representa crescimento de cerca de 22%.
O dado mais expressivo, no entanto, está na frota total. Barueri registrou expansão de 143.718 para 188.554 veículos, uma alta de cerca de 31%. Já Santana de Parnaíba apresentou crescimento ainda mais acentuado: de 69.280 para 94.902 veículos, avanço de aproximadamente 38% em dez anos.
Condutores
Na contramão desse movimento, a emissão de CNHs definitivas não acompanhou o mesmo ritmo. Em Barueri, houve queda de 3,7%, passando de 4.999 para 4.812 habilitações emitidas. Em Santana de Parnaíba, o número subiu de 2.432 para 2.976, crescimento de cerca de 22%, alinhado ao aumento dos emplacamentos, mas ainda distante da expansão da frota.
A diferença entre o crescimento do número de veículos e a emissão de habilitações sugere mudanças no comportamento da população, como maior concentração de veículos por condutor ou uso compartilhado, além de possíveis impactos econômicos no acesso à habilitação.
Especialistas alertam que o aumento acelerado da frota, sem investimentos proporcionais em transporte público e infraestrutura viária, tende a agravar problemas como congestionamentos, aumento no tempo de deslocamento e maior emissão de poluentes.
O cenário reforça a urgência de políticas públicas voltadas à mobilidade sustentável, com incentivo ao transporte coletivo, integração entre modais e planejamento urbano capaz de acompanhar o ritmo de crescimento das cidades. Caso contrário, o trânsito pode se tornar um dos principais entraves à qualidade de vida na região.
Especialista aponta falhas no planejamento urbano
Horácio Augusto Figueira, Mestre em Engenharia de Transportes. HORA H Pesquisa Engenharia & Marketing- Diretor.
Na avaliação do mestre em Engenharia de Transportes, Horácio Augusto Figueira, o modelo de ocupação urbana adotado na região de Alphaville/ Tamboré, entre Barueri e Santana de Parnaíba, é resultado de um planejamento centrado no uso do automóvel — uma escolha que, tem contribuído diretamente para os atuais problemas de mobilidade.
O engenheiro avalia que os desafios enfrentados hoje já eram previsíveis há décadas. “Essa é uma tragédia anunciada há algumas décadas. Todo o projeto da região do Alphaville/Tamboré foi centrado no automóvel, como se ele fosse resolver a mobilidade das pessoas que iriam morar na região”, afirma.
Com o passar dos anos, no entanto, o cenário se transformou. A região passou por expansão urbana, ocupação de novas áreas e forte processo de verticalização, com a construção de empreendimentos residenciais e comerciais.
“O plano urbanístico foi ampliado, houve ocupação e verticalização, mas sem a infraestrutura necessária. Na prática, o resultado é o aumento da circulação de veículos em vias que não foram projetadas para suportar o volume atual, o que agrava congestionamentos e impacta diretamente a qualidade de vida da população”, destaca Horácio.
Para o especialista, a situação reflete um problema estrutural comum em regiões metropolitanas: a priorização do transporte individual em detrimento de soluções mais sustentáveis e eficientes.
Diante desse cenário, ele defende a necessidade de revisão do modelo de mobilidade, com foco em planejamento integrado, ampliação do transporte público e alternativas que reduzam a dependência do automóvel.