Reserva Biológica Tamboré, remanescente da Mata Atlântica na região
(Imagem: Felipe Barros / Folha de Alphaville)
O Estado de São Paulo registrou queda de 29% no desmatamento da Mata Atlântica entre os períodos de 2023-2024 e 2024-2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela Fundação SOS Mata Atlântica. O levantamento faz parte do Atlas da Mata Atlântica 2024-2025, estudo realizado desde 1989 para monitorar a preservação do bioma em 17 Estados brasileiros.
De acordo com o estudo, publicado neste mês de maio, a área desmatada no território paulista caiu de 49 hectares para 35 hectares no período analisado. O índice é o menor registrado desde o levantamento de 2018-2019, quando haviam sido contabilizados 43 hectares de supressão vegetal.
Importante citar que nenhuma cidade paulista aparece nos levantamentos que apontam “Municípios com maiores desfloramentos em Mata”, “Municípios com maiores desfloramentos em Restinga” e nem em “Unidades de conservação com maiores desfloramentos”.
O Atlas da Mata Atlântica 2024-2025 analisou 130,9 milhões de hectares do bioma em todo o país. Entre os Estados da região Sudeste, São Paulo apresentou o menor índice de desmatamento. Minas Gerais liderou a lista regional com 3.092 hectares desmatados, seguido por Rio de Janeiro, com 82 hectares, Espírito Santo, com 56 hectares, e São Paulo, com 35 hectares.
Segundo os dados divulgados, o Estado possui atualmente 2,34 milhões de hectares preservados, volume equivalente a 13,7% da área de Mata Atlântica abrangida pela legislação de proteção do bioma. O levantamento também aponta que 69% do território paulista está inserido na área de aplicação da Lei da Mata Atlântica.
O governo estadual informou que, desde 2023, São Paulo soma mais de 41 mil hectares de áreas comprometidas com ações de recuperação ambiental. Entre as iniciativas citadas estão projetos de restauração de vegetação nativa, formação de corredores ecológicos, ações voltadas à segurança hídrica e medidas de adaptação às mudanças climáticas.
Os números estaduais acompanham a tendência nacional de redução no desmatamento da Mata Atlântica. Dados divulgados em 14 de maio pela Fundação SOS Mata Atlântica apontaram queda de 28% na devastação do bioma em todo o país em 2025, com redução de 53.303 hectares para 38.385 hectares desmatados. Nas áreas de florestas maduras, a queda registrada foi de 40%, segundo o monitoramento.
O resultado foi comemorado pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Natália Resende, em declaração à Agência SP. “A Mata Atlântica tem papel fundamental para a segurança hídrica, a biodiversidade e a resiliência climática do Estado. A redução do desmatamento em São Paulo demonstra que políticas públicas integradas, aliadas à fiscalização e à restauração ambiental, produzem resultados concretos”, afirmou.
Medidas de preservação no Estado
Além da redução no desmatamento, o Governo de São Paulo ampliou ações de restauração ambiental desde 2023, com mais de 41 mil hectares destinados à recuperação de áreas degradadas (volume equivalente a cerca de 55 mil campos de futebol). As iniciativas incluem recuperação de vegetação nativa, formação de corredores ecológicos e proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Em 2025, o Estado também criou o Parque Estadual do Morro Grande, entre os municípios de Cotia e Ibiúna, com quase 11 mil hectares voltados à preservação da Mata Atlântica e ao abastecimento hídrico de mais de 450 mil pessoas. O estado ainda reconheceu 1.441,9 hectares em novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), incluindo áreas nos municípios de Bananal, Bofete, Piracaia e Santa Isabel.