A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (21)
(Imagem: Ciete Silvério / Governo do Estado de SP)
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (21), em Alphaville, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as autoridades, Deolane foi detida em sua residência, localizada em um condomínio de luxo em Barueri, região de Alphaville. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em imóveis ligados à influenciadora na cidade.
Batizada de Operação Vérnix, a ação mira um suposto esquema de ocultação patrimonial e movimentação de recursos atribuídos à facção criminosa. Entre os investigados estão Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do PCC, além de familiares e operadores financeiros ligados à organização.
Segundo a Polícia Civil, os agentes cumprem seis mandados de prisão preventiva, além de ordens judiciais para bloqueio de valores que ultrapassam R$ 327 milhões. A operação também determinou a apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis ligados aos investigados.
As investigações apontam que empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e negócios ligados aos setores de transporte, apostas on-line e eventos teriam sido utilizados para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas atribuídas ao PCC.
Uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido utilizada como empresa de fachada para lavar dinheiro do grupo criminoso. Relatórios financeiros analisados pela polícia apontam movimentações consideradas suspeitas envolvendo contas e empresas associadas a Deolane entre 2018 e 2021.
Os investigadores afirmam que a influenciadora recebeu depósitos considerados incompatíveis com a renda declarada oficialmente. Parte dos valores, segundo a apuração, teria sido transferida por pessoas apontadas como “laranjas” do esquema.
A prisão ocorre um dia após Deolane retornar ao Brasil depois de uma viagem à Itália. Conforme informações divulgadas pela imprensa, o nome dela chegou a constar na lista de Difusão Vermelha da Interpol durante o andamento das investigações.
Histórico de investigações
Esta não é a primeira vez que Deolane enfrenta problemas com a Justiça. Em setembro de 2024, ela foi presa durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais e plataformas de apostas on-line.
Na ocasião, Deolane chegou a obter prisão domiciliar, mas voltou ao regime fechado menos de 24 horas depois, após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas a proibição de manifestações públicas pelas redes sociais e imprensa.
As investigações da Operação Integration também resultaram no bloqueio de bens, apreensão de carros de luxo, imóveis e aeronaves. Posteriormente, parte das medidas relacionadas a crimes federais foi anulada pela Justiça Federal de Pernambuco, que determinou o envio das apurações à Polícia Federal.
Defesa nega irregularidades
Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra não divulgou posicionamento oficial sobre a nova prisão. Em investigações anteriores, a influenciadora negou envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e alegou perseguição e abuso de autoridade por parte dos responsáveis pelas operações.
O caso segue sob sigilo parcial e a Polícia Civil ainda deve detalhar os próximos desdobramentos da Operação Vérnix ao longo do dia.
Quem é Deolane
Aos 38 anos e mãe de três filhos, Deolane Bezerra se tornou uma das influenciadoras mais populares do país, acumulando mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais, onde costuma exibir uma rotina de luxo, viagens e carros de alto padrão.
A advogada criminalista ganhou projeção nacional após a morte do então marido, o funkeiro MC Kevin, em maio de 2021. O artista morreu após cair da varanda do quinto andar de um hotel no Rio de Janeiro, onde estava hospedado com Deolane. As investigações concluíram que a morte foi acidental e o caso acabou arquivado.
Após o episódio, Deolane ampliou sua presença nas redes sociais, fechou contratos publicitários milionários e passou a frequentar programas de televisão e realities shows.
Investigação internacional e lista vermelha da Interpol
A Operação Vérnix ganhou dimensão internacional após o avanço das apurações sobre movimentações financeiras realizadas fora do Brasil. De acordo com os investigadores, parte das operações suspeitas teria ligação com movimentações identificadas na Itália, Espanha e Bolívia.
Com isso, os investigados passaram a ser monitorados por organismos internacionais e tiveram os nomes incluídos na Lista Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para alertar autoridades policiais de diferentes países sobre pessoas procuradas pela Justiça.
A polícia suspeita que o grupo utilizava empresas e contas internacionais para dificultar o rastreamento do dinheiro e dar aparência legal aos recursos movimentados. Relatórios financeiros analisados pelos investigadores indicariam movimentações milionárias consideradas incompatíveis com a renda formal declarada pelos investigados.