Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio de Janeiro em março deste ano
(Imagem: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)
Pela segunda vez em menos de 15 dias, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Na manhã desta terça-feira (26), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no apartamento onde o político mora, na Península, condomínio de alto padrão localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.
A nova ofensiva faz parte da 8ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga aportes de R$ 3 bilhões realizados pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. Segundo a PF, os recursos públicos foram destinados ao conglomerado financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro por meio de diferentes aplicações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o advogado Carlo Luchione, defensor de Castro, o ex-governador acompanhou a operação “com serenidade”. Assim como ocorreu na ação anterior, agentes chegaram ao imóvel pouco depois das 6h da manhã. No momento da abordagem, também estavam na residência a ex-primeira-dama Analine Castro e a mãe dela. Os filhos do ex-governador não estavam no local.
Operação Sem Refino
A nova operação ocorre poucos dias após outra visita da Polícia Federal ao mesmo endereço. Em 15 de maio, Castro já havia sido alvo de buscas durante a Operação Sem Refino, conduzida por determinação do ministro Alexandre de Moraes, também do STF.
Na ocasião, a investigação apurava supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a PF, a empresa teria utilizado sua estrutura societária e financeira para promover ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Os investigadores também apontaram suspeitas de favorecimento ao grupo empresarial durante a gestão do ex-governador.
Após a operação realizada no último dia 15, a defesa de Castro afirmou que ele havia sido “surpreendido” pela ação e declarou que o político estava “à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura”.
As duas operações ocorreram após a saída de Cláudio Castro do comando do governo fluminense. O político renunciou ao cargo em março deste ano, antes da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que terminou com sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A sequência de operações em um intervalo inferior a duas semanas aumenta a pressão política e jurídica sobre o ex-governador, que agora vê seu nome associado a duas investigações federais distintas envolvendo suspeitas de irregularidades financeiras, benefícios empresariais e movimentações de recursos públicos.