As reclamações contra a Sabesp vêm disparando também nas plataformas de defesa do consumidor
(Imagem: Gilberto Marques / Agência SP)
Moradores de Alphaville, entre Barueri e Santana de Parnaíba, têm intensificado as reclamações sobre cobranças consideradas abusivas nas contas de água, interrupções frequentes no abastecimento e dificuldades no atendimento da Sabesp. O problema tem sido relatado em várias outras cidades paulistas também.
Desde janeiro, moradores de condomínios da região relatam aumentos inesperados nas faturas, muitas vezes sem alteração no padrão de consumo das residências. Em alguns casos, as contas teriam triplicado de valor.
O aumento no valor das contas de água começou a ser notado principalmente após a troca do hidrômetro pela Sabesp. O hidrômetro (popularmente chamado de "relógio de água") é um instrumento de medição utilizado para registrar o volume de água consumido em um imóvel: toda a água que entra pela tubulação da rua passa por dentro dele, fazendo girar um mecanismo que registra os metros cúbicos (ou litros consumidos).
Em 1º de janeiro de 2026 começou a vigorar um ajuste tarifário da Sabesp de 6,11%, correspondente à inflação acumulada dos últimos 16 meses. Foi a primeira revisão tarifária desde a privatização da companhia, em julho de 2024. Mas apesar do reajuste oficial, consumidores afirmam que os valores finais recebidos em casa ficaram muito acima disso.
Uma reportagem divulgada no dia 21 de maio pela Band News FM traz o relato de dois moradores de Santana de Parnaíba cujas contas de água registraram saltos absurdos de valor. Um deles afirma que está há 3 anos abrindo protocolos junto à Sabesp sem qualquer resolução do problema. Ele enviou até um vídeo mostrando alta circulação de ar na torneira, sem saída de água, que faz o relógio girar como se estivesse contabilizando o uso de água. O morador alega que a conta que antes vinha em torno de R$ 100, R$ 150, está chegando a R$ 1.500 atualmente.
Outro morador de Santana de Parnaíba relatou durante a mesma reportagem que uma residência vazia, sem qualquer uso de água, recebeu uma conta no valor de R$ 1.900. Sem ter o problema devidamente analisado, ele entrou na justiça contra a Sabesp, que perdeu a causa.
Nas redes sociais são incontáveis os comentários de consumidores se queixando do mesmo problema. Em grupos de moradores, consumidores afirmam ter recebido contas superiores a R$ 1 mil mesmo em imóveis ocupados por poucas pessoas ou utilizados apenas nos fins de semana. Da mesma forma, acumulam-se denúncias de mau atendimento e recusa na análise e resolução do caso.
Além da questão financeira, os problemas de abastecimento seguem gerando desgaste. Nos últimos meses, bairros e condomínios da região enfrentaram interrupções após rompimentos de adutoras e manutenções emergenciais realizadas pela companhia.
Moradores de residenciais de Alphaville também relataram episódios de água barrenta e baixa pressão na rede, aumentando a desconfiança sobre possíveis falhas operacionais.
Reclamações explodem nas plataformas de consumidores
As reclamações contra a Sabesp vêm disparando também nas plataformas de defesa do consumidor.
No Ranking de Reclamações Fundamentadas 2025 do PROCON SP, a Sabesp ocupa o 1º lugar, com 6.879 reclamações. Dessas, somente 2.137 foram atendidas, ou seja, 31,07%. Nesse último levantamento, a Sabesp conseguiu até ultrapassar a Enel, que liderava a lista. Em 2024, a Companhia de água ocupava a 13ª posição.
No levantamento geral do Ranking de 2025, considerando todas as queixas registradas tanto pelo PROCON SP quanto pelos PROCONS municipais, 43,5% referem-se a cobranças e contestações.
No Reclame Aqui a situação segue a mesma linha.
Só nos últimos seis meses, a Sabesp recebeu 22.055 reclamações na plataforma. O índice de resolução nesse mesmo período é de 32%. A nota média atribuída à empresa pelos consumidores é de 3,7 de 10.
Das 119.306 reclamações ativas da empresa na plataforma, cobranças indevidas ocupam o topo da lista de problemas relatados, somando 15.825. Valor abusivo vem em 4º lugar, com 3.977 queixas. O tempo médio de resposta é de 87 dias.
Problema se espalha pela região oeste
As reclamações não se concentram apenas em Alphaville. Moradores de outras cidades atendidas pela Sabesp na região oeste da Grande São Paulo também relatam problemas semelhantes.
Há registros de queixas envolvendo cobranças elevadas, abastecimento irregular e dificuldade no atendimento em municípios como Osasco, Carapicuíba, Jandira, Itapevi e Cotia.
Nas redes sociais e fóruns on-line, consumidores relacionam o aumento das reclamações à piora na prestação de serviços após a privatização da companhia, concluída em 2024.
Consumidores devem pedir revisão das contas
Especialistas em defesa do consumidor orientam que moradores que identificarem aumento incompatível no valor das faturas solicitem imediatamente revisão da conta, aferição do hidrômetro, vistoria técnica e detalhamento do consumo registrado.
Também é recomendado guardar contas antigas, filmar e fotografar o hidrômetro e registrar protocolos de atendimento.
Além da própria Sabesp, consumidores podem procurar o Procon-SP e a Arsesp em casos de negativa ou demora excessiva na solução do problema.
Procurada pela reportagem, a Sabesp não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.