São Paulo | 16ºC
Dom, 26 de Julho
Comportamento

Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, mostra estudo

15 dez 2025 - 09h36 Gláucia Arboleya   atualizado às 09h40
Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, mostra estudo Compartilhamento de notícias sobre política está menos frequente (Imagem: Freepik)

O compartilhamento de notícias de política está menos frequente em grupos de família, de amigos e de trabalho no WhatsApp. Além disso, mais da metade das pessoas que participam desses ambientes dizem ter medo de omitir opinião.

A constatação faz parte do estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, divulgado nesta segunda-feira (15).

O levantamento foi feito pelo centro independente de pesquisa InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, instituições sem fins lucrativos.

A pesquisa identificou que mais da metade das pessoas que usam WhatsApp estão em grupos de família (54%) e de amigos (53%). Mais de um terço (38%) participam de grupos de trabalho.

Apenas 6% estão em grupos de debates de política. Em pesquisa realizada em 2020, eram 10%.

Ao se debruçar sobre o conteúdo dos grupos de família, de amigos e de trabalho, os pesquisadores verificaram que, de 2021 a 2024, caiu a frequência dos que aparecem mensagens sobre política, políticos e governo.

Em 2021, 34% das pessoas diziam que o grupo de família era no qual mais apareciam esse tipo de notícias. Em 2024, eram 27%.

Em relação aos grupos de amigos, a proporção caiu de 38% para 24%. Nos de trabalho, de 16% para 11%.

O estudo apresenta depoimentos de alguns dos entrevistados, sem identificá-los.

“Evitamos falar sobre política. Acho que todos têm um senso autorregulador ali, e cada um tenta ter bom senso para não misturar as coisas”, relata sobre o grupo de família uma mulher de 50 anos, de São Paulo.

As informações foram coletadas de forma online com 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de 20 de novembro a 10 de dezembro de 2024. Foram ouvidas pessoas de todas as regiões do país.

Receio de se posicionar

A pesquisa identificou que há receio em compartilhar opiniões políticas. Pouco mais da metade (56%) dos entrevistados disseram sentir medo de emitir opinião sobre política “porque o ambiente está muito agressivo”.

Foi possível mapear que essa percepção foi sentida por 63% das pessoas que se consideravam de esquerda, 66% das de centro e 61% das de direita.

“Acho que os ataques hoje estão mais acalorados. Então, às vezes você fala alguma coisa e é mais complicado, o pessoal não quer debater, na verdade, já quer ir para a briga mesmo”, conta uma mulher de 36 anos, de Pernambuco.

Os autores do estudo afirmam que se consolidaram os comportamentos para evitar conflitos nos grupos. Os dados mostram que 52% dos entrevistados se policiam cada dia mais sobre o que falam nos grupos, enquanto 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas.

“As pessoas foram se autorregulando, e nos grupos onde sempre se discutia alguma coisa, hoje é praticamente zero. As pessoas tentam, alguém publica alguma coisa, mas é ignorado”, descreve uma entrevistada.

Cerca de dois terços (65%) dizem evitar compartilhar mensagens que possam atacar os valores de outras pessoas, segundo o levantamento.

Dos respondentes, 29% já saíram de grupos onde não se sentiam à vontade para expressar opinião política.

“Tive que sair, era demais, muita briga, muita discussão, propaganda política, bateção de boca”, conta uma entrevistada.

Afirmação

Mas o levantamento identifica também que 12% das pessoas compartilham algo considerado importante mesmo que possa causar desconforto em algum grupo.

Dezoito por cento afirmam que, quando acreditam em uma ideia, compartilham mesmo que isso possa parecer ofensivo.

“Eu taco fogo no grupo. Gosto de assunto polêmico, gosto de falar, gosto de tacar lenha na fogueira e muitas vezes sou removida”, diz uma mulher de 26 anos de Minas Gerais.

Entre os 44% que se consideram seguros para falar sobre política no WhatsApp, são adotadas as seguintes estratégias:

  • 30% acham que mandar mensagens de humor é um bom jeito de falar sobre política sem provocar brigas;
  • 34% acham que é melhor falar sobre política no privado do que em grupos;
  • 29% falam sobre política apenas em grupos com pessoas que pensam igualmente.

“Eu gosto de discutir, mas é individualmente. Eu não gosto de expor isso para todo mundo”, revela um entrevistado de 32 anos, do Espírito Santo.

“É como se as pessoas já tivessem aceitado que aquele grupo é mais alinhado com uma visão política específica. Entra quem quer”, define uma mulher, de 47 anos, do Rio Grande do Norte.

O estudo foi apoiado financeiramente pelo WhatsApp. De acordo com o InternetLab, a empresa não teve nenhuma ingerência sobre a pesquisa.

Amadurecimento

Uma das autoras do estudo, a diretora do InternetLab, Heloisa Massaro, constata que o WhatsApp é uma ferramenta "arraigada" no cotidiano das pessoas. Dessa forma, assim como no mundo "offline", ou seja, presencial, o assunto política faz parte das interações.

O estudo é realizado anualmente, desde o fim de 2020. De acordo com Heloisa, ao longo dos anos, as pessoas "foram desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política no aplicativo", principalmente nos grupos.

"Elas se policiam mais, relatam um amadurecimento no uso", diz a autora. "Ao longo do tempo, a gente vai observando essa ética de grupos nas relações dos aplicativos de mensagem para falar sobre política se desenvolvendo", completa.

*Com informações da Agência Brasil 

Leia Também
Furlan anuncia apoio a Bruna Furlan e Igor Soares para eleições de 2026
Política regional Furlan anuncia apoio a Bruna Furlan e Igor Soares para eleições de 2026
Tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta (22)
Está valendo Tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta (22)
PF encerra processo e decide demitir Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo
Perda de mandato PF encerra processo e decide demitir Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo
Aplicativo e-Título ganha novas funções
Facilidade Aplicativo e-Título ganha novas funções
Convenções partidárias começam nesta segunda; entenda
Processo eleitoral Convenções partidárias começam nesta segunda; entenda
USTR confirma aplicação de tarifas a produtos do Brasil pelos EUA
Embate USTR confirma aplicação de tarifas a produtos do Brasil pelos EUA
Câmara indica R$ 1,3 bi em emendas similares ao orçamento secreto sem citar autor, diz estudo
Transparência Câmara indica R$ 1,3 bi em emendas similares ao orçamento secreto sem citar autor, diz estudo
No 2º turno, Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro, aponta BTG/Nexus
Intenção de votos No 2º turno, Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro, aponta BTG/Nexus
EUA iniciam bloqueio naval ao Irã nesta terça (14)
Tensão EUA iniciam bloqueio naval ao Irã nesta terça (14)
EUA decidem nesta quarta (15) sobre tarifaço ao Brasil
Expectativa EUA decidem nesta quarta (15) sobre tarifaço ao Brasil
Mais Lidas
Festa de Santa Ana acontece de 24 a 26 de julho em Parnaíba
Celebração Festa de Santa Ana acontece de 24 a 26 de julho em Parnaíba
Bacio di Latte lança Affogato e aposta em clássico da culinária italiana
Gastronomia Bacio di Latte lança Affogato e aposta em clássico da culinária italiana
Barueri terá licenciamento urbanístico digitalizado a partir de agosto
SERVIÇOS ON-LINE Barueri terá licenciamento urbanístico digitalizado a partir de agosto
Castello, Raposo e Rodoanel ganham reforço com IA e câmeras inteligentes
Tecnologia nas rodovias Castello, Raposo e Rodoanel ganham reforço com IA e câmeras inteligentes