A decisão foi divulgada na quinta-feira (28) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio
(Imagem: Molly Riley / Foto oficial Casa Branca EUA)
O governo dos Estados Unidos anunciou que pretende classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão foi divulgada na quinta-feira (28) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e deve entrar em vigor oficialmente em 5 de junho.
Além do enquadramento como “Organizações Terroristas Estrangeiras”, Washington informou que os grupos também passarão a ser considerados “Terroristas Globais Especialmente Designados”, classificação que amplia o alcance de sanções financeiras e restrições internacionais aplicadas pelos Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Estado, as duas facções são apontadas como algumas das organizações criminosas mais violentas da América Latina, com atuação ligada ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, controle de rotas criminosas e expansão transnacional. O governo norte-americano argumenta que as atividades do PCC e do CV ultrapassaram as fronteiras brasileiras e já alcançam outros países da América do Sul e até território americano.
Com a nova classificação, autoridades dos EUA poderão congelar ativos ligados às organizações que passem pelo sistema financeiro norte-americano, ampliar mecanismos de cooperação internacional e proibir cidadãos e empresas americanas de manter qualquer tipo de apoio financeiro, operacional ou logístico às facções.
A medida integra a estratégia adotada pela administração do presidente Donald Trump de ampliar o combate a grupos classificados por Washington como “narco-terroristas”. Nos últimos meses, o governo americano já havia adotado medidas semelhantes contra cartéis mexicanos e organizações criminosas de outros países latino-americanos.
Repercussão política
A decisão também provocou repercussão política no Brasil. Segundo veículos internacionais, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentaram evitar o enquadramento das facções brasileiras como organizações terroristas, temendo impactos diplomáticos, financeiros e possíveis questionamentos sobre soberania nacional.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, interlocutores do Palácio do Planalto demonstraram preocupação com a possibilidade de a classificação abrir espaço para sanções internacionais, restrições bancárias ou até justificativas para futuras intervenções externas em ações ligadas ao combate ao crime organizado.
O anúncio ocorreu após Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente americano, Donald Trump, na última terça-feira (26). Na ocasião, ele teria defendido uma postura mais dura contra as facções criminosas brasileiras.
Sobre as facções criminosas
Criado em 1993 dentro do sistema prisional paulista, o PCC se consolidou como a maior facção criminosa do Brasil, com atuação em diferentes estados e presença em rotas internacionais de tráfico. Já o Comando Vermelho surgiu em 1979 no sistema penitenciário do Rio de Janeiro e também expandiu influência para outras regiões do país e países vizinhos.
Nos últimos anos, governos de países vizinhos também passaram a adotar classificações semelhantes. Argentina e Paraguai já haviam enquadrado PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ou narcoterroristas em 2025, reforçando ações de segurança em áreas de fronteira.
Especialistas avaliam que a medida dos Estados Unidos pode aumentar a pressão internacional sobre operações financeiras ligadas ao crime organizado, mas alertam que o enquadramento também tende a gerar debates jurídicos e diplomáticos sobre os limites da atuação internacional dos EUA em temas de segurança pública relacionados ao Brasil.