Pacote inclui ferramentas de verificação de conteúdo gerado por IA
(Imagem: Foto: Levart Photographer)
A OpenAI anunciou um conjunto de medidas voltadas ao combate à desinformação e ao uso indevido da inteligência artificial nas eleições de 2026 no Brasil e nos Estados Unidos. O pacote inclui parcerias para fornecer informações eleitorais confiáveis, ferramentas de verificação de conteúdo gerado por IA e restrições mais rígidas ao uso da tecnologia em campanhas políticas.
A iniciativa busca ampliar a transparência sobre conteúdos produzidos por inteligência artificial e reduzir os riscos de manipulação digital em um contexto de crescente preocupação global com a disseminação de notícias falsas e materiais sintéticos durante processos eleitorais.
Entre as ações anunciadas está uma parceria com a Associated Press (AP), responsável por fornecer ao ChatGPT dados oficiais e atualizados sobre a apuração dos votos em tempo real nos dois países. Nos Estados Unidos, a OpenAI também firmou acordo com a Democracy Works para disponibilizar informações sobre cadastro eleitoral, locais de votação e prazos relacionados ao processo eleitoral.
Segundo a empresa, o objetivo é garantir que usuários tenham acesso a informações verificadas sobre eleições, ao mesmo tempo em que são fortalecidos mecanismos de prevenção contra abusos da tecnologia.
Verificação de imagens geradas por IA
Uma das principais novidades envolve o reforço da identificação de imagens produzidas por inteligência artificial.
A OpenAI anunciou uma parceria com o Google para incorporar o sistema SynthID às imagens geradas pelo ChatGPT, Codex e pelas APIs da companhia. A tecnologia adiciona marcas d’água digitais invisíveis, capazes de resistir a edições, capturas de tela e outras formas de modificação.
A medida complementa a adoção do padrão internacional C2PA (Coalition for Content Provenance and Authenticity), iniciativa que utiliza metadados e assinaturas criptografadas para registrar a origem e o histórico de alterações de imagens digitais.
Além disso, a empresa lançou uma versão preliminar de uma ferramenta pública de verificação que permitirá a qualquer pessoa identificar se uma imagem encontrada fora das plataformas da OpenAI foi criada por seus sistemas de inteligência artificial.
Quando detectada, a ferramenta poderá informar a presença da marca d’água SynthID e exibir os metadados associados ao padrão C2PA, ampliando a capacidade de rastrear a procedência do conteúdo.
A OpenAI ressalta, no entanto, que o sistema não é capaz de identificar conteúdos gerados por plataformas concorrentes, como Meta AI, Gemini, Midjourney ou Claude.
Restrições ao uso político da inteligência artificial
No documento divulgado, a companhia reafirmou sua política de proibição ao uso de seus produtos para criar ou distribuir mensagens políticas em larga escala destinadas a promover ou atacar candidatos, partidos ou propostas legislativas.
A empresa também informou que a veiculação de anúncios políticos pagos permanece proibida em seus serviços durante o período eleitoral.
Por outro lado, segue autorizado o uso da inteligência artificial para atividades internas de campanhas, desde que haja supervisão humana. Entre as aplicações permitidas estão a elaboração de documentos, planejamento estratégico, traduções, tarefas administrativas, conformidade regulatória e apoio à comunicação institucional.
Em comunicado, a OpenAI destacou que pretende equilibrar liberdade de acesso à informação e prevenção contra abusos.
“Acreditamos que é importante que as pessoas possam usar sistemas de IA para aprender, explorar e discutir questões políticas, ao mesmo tempo em que buscamos impedir o uso indevido da tecnologia por agentes mal-intencionados”, afirmou a empresa.
Com as novas medidas, a OpenAI se junta ao movimento de grandes empresas de tecnologia que buscam reforçar mecanismos de transparência, autenticidade e segurança digital diante do avanço da inteligência artificial e de sua crescente influência no debate público e nos processos democráticos.