O avanço da cotação pressiona a Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no país
(Imagem: Adigun Ampa/Unsplash)
Em meio à escalada dos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, o governo brasileiro tenta conter um novo foco de pressão inflacionária em um momento sensível do calendário eleitoral. O diesel, principal combustível da logística nacional, já reflete esse cenário.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do litro do diesel nos postos subiu mais de 11% em apenas uma semana, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80.
A alta está diretamente ligada ao agravamento do conflito na região do Golfo, após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Um dos pontos críticos é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Com a redução do fluxo na região, o barril saltou de cerca de US$ 60 no início do ano para aproximadamente US$ 110.
O avanço da cotação pressiona a Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no país. Diante do cenário, a estatal enfrenta o dilema entre repassar os custos ao consumidor ou absorver parte da alta, com impacto nas margens.
Para mitigar os efeitos, o governo federal anunciou medidas como a isenção de tributos federais e a concessão de subsídios ao setor, com previsão de gasto de até R$ 30 bilhões para reduzir o preço em cerca de R$ 0,64 por litro. Em paralelo, propôs compensações aos estados para redução de impostos sobre o combustível.
A adesão, no entanto, enfrenta resistência. O Comsefaz avalia que cortes no ICMS podem comprometer o financiamento de políticas públicas e não garantem repasse integral ao consumidor.
Enquanto as negociações avançam, o impacto já preocupa economistas. Segundo Fábio Romão, da Logos Economia, a alta do diesel pode elevar a inflação em até 0,11 ponto percentual em 2026, com efeitos que tendem a se espalhar pelos preços de alimentos, produtos e serviços nos próximos meses.
Diante do risco de paralisações, o governo também intensificou a fiscalização do frete rodoviário, tentando evitar novos aumentos e conter pressões adicionais sobre a economia.