O processo de recuperação judicial havia sido anunciado na terça-feira, 12 de maio
(Imagem: Reprodução Site Tok&Stok)
O Grupo Toky, holding criada a partir da união entre as marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou na quarta-feira, 13 de maio de 2026, uma ampla reformulação em sua diretoria executiva. A mudança ocorreu apenas um dia após a companhia protocolar pedido de recuperação judicial envolvendo dívida superior a R$ 1 bilhão e marca a saída dos fundadores da gestão operacional do grupo.
Segundo comunicado ao mercado, André Ferreira Peixoto assumiu a presidência-executiva do grupo no lugar de Victor Pereira Noda. Já Fabio Ferrante passou a responder pela diretoria financeira e de relações com investidores, substituindo Marcelo Rodrigues Marques. Na área operacional, Daniel Passos de Melo assumiu a diretoria de operações e sistemas logísticos antes ocupada por Mário Fernandes Filho.
Apesar da saída dos cargos executivos, Noda, Marques e Fernandes Filho seguirão integrando o conselho de administração da companhia e da Estok Comércio e Representações S.A., braço operacional ligado à Tok&Stok. A empresa afirmou que a transição “não acarreta qualquer alteração significativa” na estratégia de longo prazo nem nos compromissos com acionistas e mercado.
O processo de recuperação judicial havia sido anunciado na terça-feira, 12 de maio. O grupo informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a medida foi adotada diante do agravamento do endividamento e do cenário macroeconômico adverso para o varejo de móveis e decoração, setor pressionado por juros elevados, crédito restrito e desaceleração do consumo das famílias. O processo tramita na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo sob segredo de justiça.
A reestruturação reforça o momento turbulento vivido pela empresa desde a aquisição do controle da Tok&Stok pela Mobly, concluída em 2024. A fusão deu origem ao Grupo Toky e buscava criar uma operação mais robusta no setor, combinando presença física consolidada e atuação digital. No entanto, desafios de integração, pressão financeira e desaceleração do varejo acabaram agravando a situação da companhia nos últimos meses.
No mercado, a mudança foi interpretada como uma tentativa de profissionalizar ainda mais a gestão durante o processo de recuperação. Analistas avaliam que a nova diretoria terá como principal missão recuperar a confiança de investidores e fornecedores, além de conduzir negociações complexas com credores enquanto tenta preservar a operação das marcas, que seguem entre as mais conhecidas do segmento de casa e decoração no país.