Centro Paulista de Radares e Alertas Meteorológicos da Defesa Civil SP
(Imagem: Marcelo S. Camargo / Governo do Estado de SP)
O Governo de São Paulo acendeu o sinal de alerta para a temporada de queimadas deste ano. A Defesa Civil do Estado informou que o período entre junho e outubro deve registrar aumento significativo no risco de incêndios em áreas de vegetação, impulsionado por temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e chuvas irregulares. O cenário pode ser agravado pela possível atuação do fenômeno climático El Niño, que está sendo monitorado pelos órgãos meteorológicos estaduais.
Segundo a Defesa Civil, as análises meteorológicas apontam tendência de ressecamento da vegetação nos próximos meses, condição que favorece a rápida propagação do fogo. O período seco no Estado tradicionalmente já exige atenção das autoridades, mas a combinação de calor acima da média e redução das chuvas pode elevar ainda mais o potencial de queimadas neste ano.
Embora as condições climáticas aumentem o risco, o órgão ressalta que a maior parte dos incêndios continua tendo origem humana. Entre as principais causas estão queimadas irregulares para limpeza de terrenos, descarte inadequado de materiais inflamáveis, bitucas de cigarro jogadas em margens de rodovias e soltura de balões. Durante períodos de estiagem severa, pequenos focos podem rapidamente atingir grandes proporções.
Para enfrentar a temporada crítica, o governo intensificou ações de monitoramento e prevenção. O Centro de Gerenciamento de Emergências acompanha continuamente as condições climáticas em todas as regiões paulistas. Durante a Operação SP Sempre Alerta, a Sala SP Sem Fogo reúne meteorologistas especializados na análise de focos de incêndio e emissão de boletins técnicos voltados à antecipação de riscos.
A Defesa Civil também reforçou treinamentos preventivos voltados às equipes municipais e regionais. As ações incluem capacitação de agentes públicos, atualização de protocolos de combate a incêndios e fortalecimento das estruturas de resposta rápida em áreas consideradas mais vulneráveis às queimadas.
Orientações
Dentre as orientações repassadas à população estão evitar o uso do fogo para limpeza de terrenos, não descartar lixo inflamável em áreas de vegetação e não jogar cigarros acesos em vias públicas ou rodovias. Em propriedades rurais, a recomendação é manter áreas limpas e construir aceiros (faixas sem vegetação que ajudam a impedir o avanço do fogo).
O órgão também lembra que a soltura de balões, prática comum em alguns períodos do ano, representa um dos maiores riscos para incêndios florestais e urbanos, além de ser crime ambiental.
Casos suspeitos podem ser denunciados pelos telefones 181 e 199. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo número 193.
El Niño
A preocupação do governo paulista ocorre após anos marcados por eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país. Especialistas apontam que fenômenos como o El Niño podem alterar padrões de chuva e temperatura, aumentando períodos prolongados de calor e estiagem. Em áreas de vegetação seca, essas condições criam ambiente propício para queimadas de grande escala.
Além dos danos ambientais, incêndios de grandes proporções afetam diretamente a qualidade do ar, provocam problemas respiratórios, ameaçam áreas urbanas e geram prejuízos econômicos ao agronegócio e à infraestrutura. Em anos anteriores, cidades paulistas chegaram a registrar fumaça intensa e redução da visibilidade em rodovias durante períodos críticos de queimadas.
Diante da previsão para os próximos meses, a Defesa Civil reforça que a prevenção antecipada será decisiva para reduzir impactos ambientais e proteger a população durante a estiagem paulista de 2026.