O encontro entre Lula e Trump durou mais de três horas e incluiu almoço oficial na Casa Branca
(Imagem: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, que Brasil e Estados Unidos criarão um grupo de trabalho para negociar uma solução para o impasse tarifário e para a investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Segundo Lula, os ministros da área econômica e comercial dos dois países terão cerca de 30 dias para apresentar uma proposta conjunta aos presidentes. “Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, afirmou o presidente brasileiro durante coletiva na Embaixada do Brasil em Washington.
A investigação conduzida pelos EUA acusa o Brasil de práticas consideradas desleais, envolvendo temas como Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e propriedade intelectual. O governo brasileiro, por sua vez, voltou a defender o encerramento da apuração e criticou o uso unilateral da Seção 301, alegando incompatibilidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O encontro entre Lula e Trump durou mais de três horas e incluiu almoço oficial na Casa Branca. Em publicação nas redes sociais, Trump classificou a reunião como “muito produtiva” e afirmou que novas rodadas de negociações já estão previstas.
Lula disse ter saído otimista da conversa e reforçou que o Brasil está disposto a discutir qualquer tema, desde que sejam preservadas “a democracia e a soberania” do país.
Além do comércio, os dois governos discutiram cooperação no combate ao crime organizado transnacional. Lula anunciou que o governo federal lançará na próxima semana um novo plano de enfrentamento às facções criminosas, com foco na asfixia financeira das organizações. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Brasil e EUA deverão ampliar operações conjuntas para combater contrabando de armas e tráfico internacional de drogas.
Outro tema central da reunião foi o interesse norte-americano em minerais críticos e terras raras brasileiras. Lula destacou a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e afirmou que o Brasil pretende atrair parcerias internacionais sem repetir o modelo histórico de exportação apenas de matéria-prima. “Com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento”, declarou.
O presidente também afirmou ter entregue a Trump uma lista de autoridades brasileiras e familiares que ainda enfrentam restrições de visto impostas pelos EUA após o julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.
A relação comercial entre os dois países vive um período de tensão desde 2025, após o governo Trump retomar medidas protecionistas, incluindo tarifas sobre aço e alumínio brasileiros. Desde então, os dois países vêm alternando negociações diplomáticas, medidas de reciprocidade e disputas comerciais na OMC.