Dinheiro falso, simulacro de arma de fogo e joias foram encontrados na casa da diarista pela polícia
(Imagem: Reprodução Cidade Alerta)
A diarista Mayara Albuquerque, de 32 anos, é investigada pela Polícia Civil por uma série de furtos em casas de alto padrão de Alphaville, em Santana de Parnaíba, e de outras regiões da Grande São Paulo. A investigação aponta ao menos 20 possíveis vítimas.
O número de vítimas pode aumentar. Durante a exibição do caso no Cidade Alerta, da TV Record, o apresentador informou que, logo após a chamada da reportagem, outras pessoas entraram em contato com a emissora para saber como poderiam fazer novas denúncias.
Mayara conseguia acesso às residências por meio de serviços terceirizados de diaristas. Segundo a investigação, durante o trabalho, ela identificava dinheiro, joias, relógios e outros objetos de valor e chegava a pesquisar o preço de algumas peças antes de decidir o que levar.
Uma das suspeitas é de que ela usasse ferramentas de inteligência artificial no celular para pesquisar o valor de relógios importados e peças de ouro encontrados nas casas.
A polícia também apura um método usado para dificultar a descoberta dos furtos. Mayara teria levado notas falsas de R$ 50 e R$ 100 às residências para substituir o dinheiro verdadeiro. Há ainda relato de dólares retirados e trocados por cédulas falsas.
A diarista foi indiciada por furto qualificado e responde em liberdade. Como não houve prisão em flagrante, ela foi liberada após prestar depoimento. Com o surgimento de novas vítimas, a Polícia Civil avalia pedir sua prisão preventiva.
Prejuízo de R$ 300 mil
Uma das vítimas é a médica Ariadne Pereira, de Alphaville. Ela estima em cerca de R$ 300 mil o prejuízo com as joias furtadas. Ariadne havia contratado a diarista por meio de um aplicativo de serviços domésticos.
Durante a faxina, a médica saiu de casa e deixou a mãe no imóvel. Cerca de duas horas depois de chegar, Mayara teria ido embora sem terminar o serviço. Após ser avisada pela mãe sobre a saída, Ariadne pediu que ela verificasse a caixa de joias e descobriu o furto.
Entre as peças estavam joias que, além de valiosas, tinham valor sentimental.
“Eu fiquei muito triste porque ela roubou minhas joias de formatura: um colar de diamantes com esmeralda, brincos de diamante com esmeralda de ouro branco, uma pulseira de diamante”, relatou Ariadne ao Cidade Alerta. Imagens de câmeras internas da casa de Ariadne mostram a diarista mexendo no porta-joias.
Além das joias, a diarista também teria levado um frasco de medicamento controlado da casa da médica. O item foi encontrado pela polícia durante o cumprimento do mandado de busca na residência de Mayara.
Dinheiro falso, joias e cartões
Durante o cumprimento de um mandado de busca na casa da investigada, policiais encontraram joias, grande quantidade de dinheiro falso, um simulacro de arma de fogo e uma ampola de medicamento controlado. O remédio teria sido furtado da residência de uma médica.
No celular apreendido, foram encontradas fotografias de cartões bancários aparentemente pertencentes a diferentes pessoas. A polícia apura se os dados foram usados para fazer compras. A suspeita é de que os cartões fossem fotografados para possível uso posterior.
A investigação deverá confrontar essas imagens com extratos, registros de compras e relatos dos titulares dos cartões.
Os policiais analisam ainda um vídeo publicado nas redes sociais no qual Mayara aparece com uma grande quantidade de dinheiro. A gravação, isoladamente, não comprova a origem dos valores.
De acordo com o delegado Fábio Siqueira, a investigada já tem antecedentes por furto e há indícios de que não agia sozinha. Casos com características semelhantes também são apurados na Zona Oeste de São Paulo e em municípios vizinhos.
A Polícia Civil tenta identificar outros possíveis envolvidos, localizar novas vítimas, determinar há quanto tempo a diarista teria agido e relacionar os objetos apreendidos aos furtos. Registros de entrada em condomínios e imagens de câmeras de segurança também fazem parte da apuração.
Até o momento, não há informação de que as empresas ou plataformas pelas quais Mayara conseguia os serviços soubessem dos supostos crimes ou tivessem participação neles.
O caso ganhou repercussão após reportagens da Record e da Band. Até o fechamento desta matéria, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não havia divulgado informações oficiais sobre a investigação.