Represa Paulo de Paiva Castro, parte do sistema Cantareira
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
As chuvas históricas registradas neste mês de setembro deram um reforço importante aos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo. Desde o início do mês, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) ganhou 208 bilhões de litros de água, volume superior à capacidade da Represa de Guarapiranga, de 171 bilhões de litros.
No começo de setembro, os reservatórios reuniam 843 bilhões de litros. Na quinta-feira (17), o total havia chegado a 1,05 trilhão de litros. O SIM reúne os sete sistemas responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo: Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço.
O aumento ocorre em meio a um mês excepcionalmente chuvoso. Setembro de 2026 já se tornou o mais chuvoso na cidade de São Paulo desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. Até a manhã de segunda-feira (14), haviam sido registrados 253,8 milímetros de chuva no Mirante de Santana, quase três vezes a média de 83,3 milímetros esperada para todo o mês.
Cantareira se recupera
O efeito das chuvas também aparece no Sistema Cantareira, maior dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo. Até quinta-feira (17), as represas do sistema haviam recebido 257,2 milímetros de chuva em setembro, fazendo deste o mês mais chuvoso no Cantareira desde dezembro de 2024.
Com as precipitações, a vazão natural (quantidade de água que chega ao sistema) alcançou média de cerca de 66 mil litros por segundo desde o início do mês, quase três vezes a média histórica de setembro.
O Cantareira chegou a 39,9% de seu volume útil e está próximo de deixar a chamada faixa de alerta, que compreende níveis entre 30% e 40%. Acima dos 40%, o sistema passa para a faixa de atenção.
A mudança tem efeito também na operação. Na faixa de atenção, a Sabesp pode retirar até 31 mil litros de água por segundo do Cantareira. Atualmente, com o sistema em alerta, o limite é de 27 mil litros por segundo.
Cenário ainda exige atenção
Apesar da recuperação, o aumento dos níveis neste mês não elimina a necessidade de acompanhamento dos reservatórios nos próximos meses.
Com a elevação das temperaturas, especialmente no verão, aumenta também a perda de água por evaporação. O comportamento das chuvas e os efeitos do El Niño são outros fatores que podem influenciar a situação dos mananciais.
A melhora de setembro, porém, é expressiva. Para efeito de comparação, os 208 bilhões de litros acrescentados aos reservatórios em menos de três semanas superam os cerca de 193 bilhões de litros economizados ao longo de um ano com a gestão de demanda noturna, medida que inclui a redução da pressão da água na rede.