Pesquisa revela queda na sensação de felicidade do brasileiro
(Imagem: Kinga Howard / Unsplash)
A parcela de brasileiros que se considera feliz caiu de 89,5% para 61,1% entre fevereiro e setembro deste ano, uma redução de 28,4 pontos percentuais.
Os dados são de uma nova medição de O Mapa da Felicidade Real no Brasil, realizada pela especialista em Ciência da Felicidade Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia. O levantamento ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 4 e 8 de setembro.
Além da queda na felicidade declarada, a pesquisa identificou redução na percepção de apoio de amigos e familiares e aumento da parcela de entrevistados que relatam já ter se sentido tristes ou infelizes ao utilizar redes sociais.
“Em fevereiro, 89,5% dos brasileiros se consideravam felizes. Em setembro, encontramos 61,1%. É uma mudança muito expressiva em pouco mais de seis meses e que aparece em um momento crítico, marcado por denúncias, notícias negativas e maior tensão política”, afirma Renata.
A pesquisa, no entanto, não perguntou aos entrevistados o que provocou a mudança. Por isso, os resultados não permitem atribuir a queda da felicidade ao cenário político ou a qualquer outro acontecimento específico.
Rede de apoio também diminui
A parcela dos entrevistados que afirma contar com o apoio de amigos ou familiares passou de 87,2%, na medição anterior, para 78,3% em setembro. A redução foi de 8,9 pontos percentuais.
Com isso, aproximadamente 22% dos brasileiros ouvidos indicaram não contar com essa rede de apoio.
“Os vínculos sociais estão entre os fatores mais importantes para a felicidade. Em fevereiro, a rede de apoio era um dos elementos que sustentavam a percepção positiva do brasileiro. Em setembro, vemos menos pessoas dizendo que podem contar com familiares ou amigos”, observa Renata.
Tristeza nas redes sociais aumenta
Outro indicador que piorou foi o relacionado às redes sociais. Em fevereiro, 50,5% dos entrevistados afirmavam já ter se sentido tristes ou infelizes ao utilizá-las. Em setembro, o percentual chegou a 66,1%, aumento de 15,6 pontos percentuais.
“Quando a pessoa abre uma rede social em um período de crise, encontra uma grande quantidade de denúncias, conflitos e informações negativas. Além do conteúdo, ela também entra em contato com posicionamentos políticos de pessoas próximas. Isso pode aumentar a tristeza e afetar a esperança em relação ao futuro”, analisa a pesquisadora.
O levantamento não permite determinar, porém, se a tristeza foi provocada pelas plataformas, pelo conteúdo consumido ou pelo contexto vivido pelos entrevistados.
Trabalho ainda contribui para a felicidade
Entre os entrevistados que trabalham, 70,8% disseram que o trabalho contribui para que se sintam mais felizes. Em fevereiro, eram 76,6%, uma queda de 5,8 pontos percentuais.
Apesar do recuo, sete em cada dez trabalhadores ainda relacionam o trabalho a uma percepção positiva de felicidade.
“A queda da felicidade acontece ao mesmo tempo em que diminui a percepção de apoio e aumenta a tristeza nas redes sociais. Isso revela um desgaste emocional que não pode ser explicado por um único episódio. O cenário político é parte do contexto, mas a pesquisa mostra principalmente que alguns dos fatores que sustentavam a felicidade do brasileiro estão mais frágeis”, conclui Renata.
Sobre a pesquisa
A nova etapa de O Mapa da Felicidade Real no Brasil ouviu 1.500 brasileiros de todas as regiões do país entre 4 e 8 de setembro de 2026.
Os resultados foram comparados aos da primeira medição, realizada entre 20 de fevereiro e 1º de março, também com 1.500 participantes. A pesquisa informa margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.