Apuração aponta que 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista estariam sob influência ou controle do PCC
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)
Santana de Parnaíba está entre as cidades onde foram cumpridos mandados da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e no poder público.
Ao todo, a Justiça determinou 16 prisões temporárias e buscas em 18 endereços. As diligências ocorreram em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Até a manhã desta sexta-feira (18), dez pessoas haviam sido presas e seis continuavam sendo procuradas.
Até o momento, as autoridades não divulgaram qual investigado ou endereço foi alvo especificamente em Santana de Parnaíba. Também não há informação de que empresas responsáveis pelo transporte público municipal da cidade estejam entre as investigadas.
A apuração aponta que 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista estariam sob influência ou controle da organização criminosa. A suspeita ainda está sendo investigada.
Segundo a investigação, o esquema envolveria o uso de pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas companhias e movimentar recursos. Também são apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro, direcionamento de licitações, corrupção de agentes públicos e financiamento de campanhas eleitorais.
Ex-presidente da Câmara de SP é procurado
Entre os alvos da operação está Milton Leite (União Brasil), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada por 30 dias e ainda não havia se apresentado à polícia até a manhã desta sexta-feira.
Na quinta-feira, Leite afirmou que estava viajando e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Ele nega as acusações e qualquer ligação com o PCC. Também rejeita a suspeita de que seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de outra investigação sobre a atuação da facção no transporte público. A companhia também nega que o ex-vereador tenha participação societária ou atue em sua gestão.
Outro investigado ainda procurado nesta sexta-feira é o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, ligado à A2 Transportes e à Translíder e presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema. Segundo a investigação, ele teria sido utilizado para ocultar interesses da organização criminosa por meio de empresas do setor de transporte.
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Também foi detido Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL e ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
Investigação chegou a empresas por mensagens
Parte central da investigação surgiu da análise de celulares apreendidos durante fases anteriores da apuração. Mensagens encontradas no aparelho de José Daniel Satilite, proprietário da empresa Translíder, ajudaram os investigadores a identificar relações entre pessoas suspeitas de integrar ou colaborar com o PCC e empresas do setor de transporte.
Segundo documentos da investigação, diálogos analisados pela polícia mencionavam uma relação de empresas que estariam sob influência da organização criminosa. A apuração passou então a cruzar essas informações com contratos e dados do sistema de transporte.
A investigação também encontrou conversas que, segundo a Justiça, indicariam participação de integrantes da facção em decisões sobre financiamento de campanhas políticas. As suspeitas fazem parte do inquérito e ainda serão analisadas no decorrer do processo.
A Operação Vectura Corrupta é a terceira fase da investigação sobre a presença do crime organizado no setor de transporte coletivo em São Paulo. Fases anteriores já resultaram em cinco denúncias apresentadas pelo Ministério Público e duas condenações, segundo decisão judicial que autorizou a nova operação.