São Paulo | 22ºC
Dom, 01 de Novembro
RETA FINAL

Usina de resíduos de Barueri tem previsão de conclusão no começo de 2027

17 set 2026 - 13h34 Aliz Lambiazzi   atualizado às 13h37
Usina de resíduos de Barueri tem previsão de conclusão no começo de 2027 Projeto da URE Barueri (Imagem: Reprodução vídeo URE Barueri)

A Unidade de Recuperação Energética (URE) de Barueri deve entrar em operação em 2027. A previsão é da Orizon, controladora da Barueri Energia Renovável, responsável pelo empreendimento, que informou em seu balanço mais recente que a conclusão da planta está prevista para o início do próximo ano.

As obras chegaram a 87% de execução e a expectativa é iniciar os testes dos equipamentos ainda em 2026. A atualização foi fornecida pela Barueri Energia Renovável no início de setembro, quando a empresa informou que os trabalhos avançavam para as etapas de montagem eletromecânica, acabamento civil e comissionamento.

A usina está sendo construída em Barueri, no bairro Aldeia, e terá capacidade para receber até 870 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia, aproximadamente 300 mil toneladas por ano. Além de Barueri, a unidade deverá receber resíduos de Santana de Parnaíba e Carapicuíba.

Do lixo à eletricidade

A URE utilizará a tecnologia conhecida como waste-to-energy (resíduos para energia), que produz eletricidade por meio do tratamento térmico dos resíduos sólidos urbanos.

Na prática, o material é submetido à combustão em alta temperatura. O calor aquece uma caldeira e produz vapor, que movimenta uma turbina ligada ao gerador de energia. O projeto prevê ainda sistemas de tratamento dos gases resultantes do processo e controle das emissões atmosféricas.

A Orizon apresenta o empreendimento como a primeira usina waste-to-energy da América Latina. A classificação se refere a esse modelo de recuperação energética por tratamento térmico direto dos resíduos em escala comercial. Ela não deve ser confundida com outras formas de produção de energia a partir do lixo já existentes no país, como o aproveitamento do biogás produzido em aterros sanitários.

Parte da energia que será produzida já está contratada. A Orizon venceu, em 2021, dois leilões de geração promovidos pelo governo federal e deverá comercializar, a partir de 2027, 105 mil megawatts-hora (MWh) por ano, equivalentes a 75% da capacidade prevista da planta. Os contratos têm duração de 20 anos.

Resíduos da região

A URE faz parte de uma parceria público-privada firmada com o município de Barueri para o manejo de resíduos sólidos por um período de 30 anos. A estrutura financeira do projeto prevê remuneração pelo tratamento dos resíduos e receitas provenientes da venda da eletricidade produzida.

Atualmente, os resíduos sólidos urbanos de Barueri são destinados a aterro em Santana de Parnaíba. Com a entrada da URE em funcionamento, o material previsto para recuperação energética passará a ser processado na nova planta.

Segundo informações do projeto, a recuperação energética será feita após a separação de materiais recicláveis. A documentação da Orizon prevê que a coleta seletiva e a triagem realizada pela cooperativa de Barueri continuem integrando o fluxo de tratamento antes da destinação final dos resíduos.

A empresa afirma que o processo permitirá reduzir a quantidade de material encaminhada aos aterros. Após a combustão, permanecem escórias e cinzas, que precisam receber destinação adequada. Por isso, a recuperação energética não elimina completamente a necessidade de disposição final dos resíduos.

Investimento foi revisto para R$ 641 milhões

O custo previsto para implantação da URE também aumentou durante a execução do projeto. Relatório da S&P Global Ratings mostra que o investimento total estimado passou de R$ 600,5 milhões para R$ 641,3 milhões, uma alta de 6,79%.

O documento, publicado em agosto de 2025, apontava ainda que os R$ 9 milhões reservados originalmente para contingências já haviam sido utilizados. Na ocasião, a agência afirmou que eventuais despesas adicionais poderiam exigir novos aportes dos acionistas.

A Barueri Energia Renovável é controlada pela Orizon, com 80% de participação. Os outros 20% pertencem à Sabesp, que adquiriu a fatia por R$ 40 milhões em 2022. A empresa mantém com a Prefeitura de Barueri uma parceria público-privada para recebimento e tratamento de resíduos até 2051 e contratos de comercialização de energia até 2046.

A previsão para a conclusão da planta já mudou ao longo da implantação. Informações divulgadas anteriormente apontavam outros prazos para a entrada em operação. Em março deste ano, por exemplo, a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren) informava previsão de operação comercial em janeiro de 2027. Já o documento mais recente da Orizon, referente a junho, é mais cauteloso e prevê a conclusão no início de 2027, sem estabelecer uma data para a inauguração.

URE começou a ser estruturada há 16 anos

A URE de Barueri é resultado de um projeto que começou a ser estruturado há cerca de 16 anos. Em junho de 2010, o município incluiu o tratamento de resíduos sólidos urbanos em seu programa de parcerias público-privadas (PPPs). A consulta pública ocorreu naquele ano e a licitação foi realizada em 2011.

O contrato para tratamento e destinação final dos resíduos foi assinado em janeiro de 2012, com prazo de 30 anos. Na época, a concessionária Barueri Energia era formada pela Foxx Soluções Ambientais e pela Tecipar Engenharia e Meio Ambiente. O projeto passou posteriormente por mudanças societárias até chegar à estrutura atual, sob controle da Orizon.

Ainda em 2012, a implantação da URE passou pela análise ambiental. O Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) foram discutidos em audiências públicas realizadas em novembro daquele ano em Barueri e Carapicuíba. Em dezembro, o Consema aprovou o estudo e a Cetesb concedeu a Licença Prévia para a usina.

Desde então, o empreendimento atravessou mudanças de cronograma e de custos até chegar à atual fase das obras.

Resistência acompanha projeto há anos

A implantação da URE também enfrenta resistência de parte dos moradores desde os primeiros anos de discussão. A principal preocupação está relacionada ao fato de a unidade utilizar incineração de resíduos urbanos e estar instalada próxima a áreas habitadas da região da Aldeia.

Os opositores questionam principalmente os possíveis efeitos das emissões atmosféricas sobre a saúde e o meio ambiente, além dos impactos da operação de uma unidade que deverá receber centenas de toneladas de resíduos diariamente. Esses argumentos já apareceram nas discussões públicas sobre o projeto e continuam sendo defendidos atualmente pelo coletivo SOS Barueri, que mantém campanha contra a implantação da usina.

Um abaixo-assinado criado por moradores da Aldeia também cita preocupações com a proximidade da usina de áreas residenciais, riscos ambientais e à saúde e possíveis acidentes. A mobilização reuniu mais de 1,3 mil assinaturas. Essas são alegações dos opositores ao empreendimento, e não conclusões dos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento.

Por outro lado, o projeto passou pelo processo de licenciamento ambiental estadual. O Consema aprovou o EIA/Rima em dezembro de 2012, condicionando o empreendimento ao cumprimento de exigências, medidas mitigadoras e compensatórias, e a Cetesb concedeu a Licença Prévia naquele mesmo mês.

A responsável pela URE afirma que a planta contará com sistemas de tratamento e controle dos gases produzidos durante a combustão. O monitoramento das emissões e o cumprimento dos limites estabelecidos no licenciamento ambiental fazem parte das exigências para a operação da unidade.

 

Leia Também
Feriado de Finados terá risco de chuva forte em SP; veja a previsão
Meteorologia Feriado de Finados terá risco de chuva forte em SP; veja a previsão
Veja o que abre e fecha em Barueri e Santana de Parnaíba no feriado prolongado de Finados
FERIADÃO Veja o que abre e fecha em Barueri e Santana de Parnaíba no feriado prolongado de Finados
Polícia faz buscas no gabinete de Zuffa, presidente da Câmara de Barueri
Máfia do caixão Polícia faz buscas no gabinete de Zuffa, presidente da Câmara de Barueri
Garage Experience movimenta Alphaville nos dias 13 e 14 de novembro
Compras e experiências Garage Experience movimenta Alphaville nos dias 13 e 14 de novembro
Justiça nega novo habeas corpus a Deolane Bezerra; OAB anula suspensão profissional
Revés judicial Justiça nega novo habeas corpus a Deolane Bezerra; OAB anula suspensão profissional
Acidentes na Castello e na Raposo deixam feridos nesta manhã de quarta (28)
Rodovias Acidentes na Castello e na Raposo deixam feridos nesta manhã de quarta (28)
Shopping Tamboré terá caça aos doces e desfile de fantasias no Halloween
Dia das Bruxas Shopping Tamboré terá caça aos doces e desfile de fantasias no Halloween
Massa de ar polar mantém frio no Sul e Sudeste; chuva forte retorna nos próximos dias
Frio e chuva Massa de ar polar mantém frio no Sul e Sudeste; chuva forte retorna nos próximos dias
Luuna inaugura loja no Shopping Tamboré com colchões e base inteligente
Novidade Luuna inaugura loja no Shopping Tamboré com colchões e base inteligente
Flávio vence em Barueri e Santana de Parnaíba, mas Lula amplia votação local
Na região Flávio vence em Barueri e Santana de Parnaíba, mas Lula amplia votação local
Mais Lidas
Trem Intercidades: inclusão de parada em Barueri depende de definição do Estado
Projeto Trem Intercidades: inclusão de parada em Barueri depende de definição do Estado
Obra no trevo de Alphaville chega a 82% de execução e tem conclusão prevista para novembro
Atualização Obra no trevo de Alphaville chega a 82% de execução e tem conclusão prevista para novembro
Justiça derruba lei de auxílio ao transporte escolar em Santana de Parnaíba
Inconstitucional Justiça derruba lei de auxílio ao transporte escolar em Santana de Parnaíba
Garage Experience movimenta Alphaville nos dias 13 e 14 de novembro
Compras e experiências Garage Experience movimenta Alphaville nos dias 13 e 14 de novembro