O lançamento coloca no mercado uma alternativa inédita aos tratamentos injetáveis que dominaram o setor nos últimos anos
(Imagem: Divulgação Lilly)
A FDA (Food and Drug Administration) acaba de aprovar o primeiro comprimido diário para perda de peso. Batizado de Foundayo — e apelidado de “Mounjaro em pílula”—, o medicamento é produzido pela farmacêutica Eli Lilly, a mesma responsável pelo injetável Mounjaro, e já começou a ser distribuído nos Estados Unidos com preço inicial de US$ 149 por mês para pacientes sem cobertura de plano de saúde.
O lançamento coloca no mercado uma alternativa inédita aos tratamentos injetáveis que dominaram o setor nos últimos anos. Diferentemente de outras opções orais, como a versão em comprimido do Wegovy, da Novo Nordisk, o Foundayo pode ser ingerido em qualquer horário do dia e sem restrições alimentares — um fator que tende a ampliar a adesão entre pacientes que enfrentam dificuldades com rotinas rígidas de medicação.
Resultados clínicos e limitações
Os dados clínicos divulgados pela fabricante indicam que pacientes com obesidade tratados com o comprimido perderam, em média, 12% do peso corporal ao longo de 72 semanas. Embora o resultado seja considerado significativo, ele ainda fica abaixo do desempenho observado com os medicamentos injetáveis mais recentes, que podem ultrapassar 20% de redução de peso no mesmo período.
Essa diferença, no entanto, não diminui o potencial de mercado do novo produto. Especialistas apontam que a principal barreira para os tratamentos atuais ainda é o uso de agulhas — seja por medo, desconforto ou dificuldade de adesão contínua. Nesse contexto, a versão oral surge como uma porta de entrada para milhões de pacientes que evitam terapias injetáveis.
Nova corrida bilionária
A chegada do Foundayo intensifica a disputa entre gigantes farmacêuticas em um dos segmentos mais promissores da indústria global de saúde. A Novo Nordisk já havia saído na frente ao lançar, em janeiro, sua própria versão oral baseada no sucesso do Wegovy, consolidando uma corrida tecnológica para tornar os agonistas de GLP-1 mais acessíveis e convenientes.
Analistas de mercado projetam que os medicamentos orais dessa classe podem movimentar até US$ 22 bilhões até 2030, impulsionados pela combinação de alta demanda global por soluções de emagrecimento e pela praticidade das novas formulações.