Em 2025 a participação de mulheres em posições de liderança dobrou
(Imagem: Divulgação)
Apesar de avanços recentes, a presença feminina nos altos cargos de liderança no Brasil ainda segue aquém do esperado. Em 2025, a participação de mulheres em posições de topo dobrou, mas alcançou apenas 6%, segundo levantamento da Bain & Company. Nos cargos executivos, elas representam cerca de 34%, enquanto ocupam somente 10% dos assentos em conselhos de administração.
O cenário reforça um avanço considerado lento. De acordo com o estudo Panorama Mulheres, apenas 17,4% das empresas com presidência formalizada no país são lideradas por mulheres — índice abaixo da média global, de 29%. Para especialistas, o dado evidencia que, embora a participação feminina no mercado de trabalho tenha crescido, a equidade nos níveis mais altos das organizações ainda está distante.
Sócia-diretora do Great Place to Work Brasil (GPTW), a psicóloga organizacional Bárbara Gianetti construiu sua carreira a partir de uma mudança de rota. Formada em Psicologia com foco inicial na área clínica, começou atuando em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde o contato com casos de adoecimento ligados ao ambiente de trabalho despertou o interesse pela saúde mental nas organizações.
A virada aconteceu ao conhecer o GPTW, onde iniciou como analista e, ao longo dos anos, migrou para a consultoria até assumir a liderança da operação na região metropolitana oeste de São Paulo. “A liderança foi acontecendo de forma natural, como consequência da trajetória”, afirma.
Entre os principais desafios, ela destaca o empreendedorismo e a conciliação entre carreira e maternidade. “Não existe perfeição. Em alguns momentos, alguns pratos vão cair”, resume. Para Bárbara, a discussão sobre liderança feminina deve ir além de comparações de gênero. Segundo ela, competências como escuta, empatia e construção de confiança são essenciais para qualquer liderança. Ainda assim, reconhece que há entraves estruturais. “É preciso ampliar o acesso a oportunidades, reduzir vieses e tratar o tema como estratégia de negócio.”
Ela avalia que a presença de mulheres em cargos estratégicos melhora a qualidade das decisões e fortalece os resultados das empresas, além de contribuir para ambientes mais diversos e inovadores. Apesar dos avanços recentes, a executiva ressalta que o caminho ainda é longo. “Os homens ainda são maioria nos cargos de alta liderança, o que mostra que a evolução precisa continuar.”
Como conselho, destaca a importância do desenvolvimento contínuo, da construção de rede de apoio e da autenticidade. “Não abra mão de ser quem você é. Essa é uma das maiores forças na liderança.”
Liderança construída na prática e com visão de impacto
Luise Freitas, também sócia-diretora do Great Place to Work Brasil (GPTW) e da Great People, construiu uma trajetória marcada por transições e aprendizado contínuo. Formada em Nutrição, após iniciar os estudos em Gastronomia, ela ampliou sua formação com áreas como administração e marketing digital, consolidando uma visão estratégica de negócios e pessoas.
“Minha trajetória foi construída muito mais por movimento do que por um plano linear”, afirma. Ao longo da carreira, buscou ambientes desafiadores e com propósito, assumindo responsabilidades e liderando projetos. Para ela, a liderança é consequência de consistência, entrega e confiança construída ao longo do tempo.
Entre os principais desafios, destaca a conciliação entre múltiplos papéis — executiva, mãe, empreendedora — e a construção de credibilidade ainda jovem em ambientes exigentes. “O maior aprendizado foi deixar de buscar validação externa e confiar nas próprias decisões”, resume.
Luise defende que a liderança deve ser analisada sob a ótica da diversidade de estilos, e não apenas de gênero. Ainda assim, reconhece que características como empatia, escuta ativa e visão sistêmica — frequentemente associadas às mulheres — ganharam status de competências estratégicas no mundo
corporativo.
Ela aponta que o avanço feminino na liderança depende de três fatores centrais:n acesso real a oportunidades, ambientes mais inclusivos e fortalecimento de redes de apoio. “Diversidade não é agenda, é vantagem competitiva”, afirma, citando estudos do GPTW que relacionam inclusão a maior inovação, engajamento e
desempenho.
Para a executiva, o desafio atual das lideranças é equilibrar resultados, bem-estar e engajamento em um cenário de mudanças rápidas e influência crescente da tecnologia. Nesse contexto, culturas de confiança se tornam um diferencial.
Apesar dos avanços recentes, Luise avalia que ainda há um descompasso nos níveis mais altos das organizações. “O próximo passo não é apenas incluir mais mulheres, mas garantir que elas ocupem, permaneçam e influenciem posições de decisão.”
Como conselho, ela reforça a importância do protagonismo. “Não espere estar 100% pronta. Invista no desenvolvimento, construa uma rede de apoio e ocupe seu espaço com intencionalidade.”