Segundo a pesquisa, 34% compram pouco ou nada no digital
(Imagem: MICROSOFT EDGE/FREEPIK)
Apesar da alta renda e do forte acesso à tecnologia, uma parcela significativa dos brasileiros mais ricos ainda mantém distância do comércio eletrônico. É o que mostra o 1º Anuário Mosaic Insights, da Serasa Experian, ao revelar que 34% dos consumidores com renda acima de 20 salários mínimos compram pouco ou nada no ambiente digital.
O estudo indica que, para esse público, a jornada de consumo pode até começar online, mas tende a se concretizar em canais físicos ou por meio de relacionamento direto, reforçando a importância da experiência presencial mesmo entre consumidores altamente conectados.
No Brasil, os chamados “super-ricos” representam uma fatia ainda mais restrita da população: cerca de 0,40% recebem acima de 30 salários mínimos. Nesse grupo, o consumo premium está mais associado à conveniência e à manutenção da rotina do que à ostentação, com destaque para categorias como eletrônicos, delivery, farmácia, cosméticos e itens para casa.
Segundo Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da datatech, os dados mostram que a renda, isoladamente, não é sufi- ciente para definir estratégias de comunicação.
“Mesmo em um grupo tão restrito, existem diferenças relevantes que precisam ser consideradas pelas marcas”, afirma.
Mais dados
O levantamento também aponta que 68% desse público está concentrado no perfil de “Alta Renda e Executivos Consolidados”, mas há presença em outros segmentos, como a “Classe Média Urbana Estruturada” (12%) e grupos ligados ao empreendedorismo, que somam 8%. Os demais perfis completam um cenário mais diverso do que o imaginado.
Outro dado relevante é o recorte etário: um em cada quatro super-ricos tem até 39 anos, o que indica uma elite mais jovem e formada, em muitos casos, por trajetórias profissionais aceleradas e iniciativas empreendedoras — fator que influencia diretamente hábitos de consumo e decisão de compra.
“Quando a gente cruza idade com a formação dos grupos, a leitura fica mais completa e entendemos que a elite brasileira não é só herdeira, ela também reflete trajetórias profissionais aceleradas e empreendedorismo, o que muda repertório, canais e a própria lógica de decisão”, finalizou a executiva da datatech.