O movimento evidencia uma mudança estrutural no modelo de negócios do setor
(Imagem: Jonas Leupe/Unsplash)
A intensificação da concorrência com as fintechs e a rápida expansão do Pix estão comprimindo as receitas dos bancos tradicionais com serviços transacionais. Em 2025, três das quatro maiores instituições financeiras de capital aberto do país perderam quase R$ 2 bilhões em faturamento com tarifas de conta-corrente. O movimento evidencia uma mudança estrutural no modelo de negócios do setor, que passa a usar a conta gratuita como porta de entrada para a venda de crédito, investimentos e outros produtos de maior rentabilidade.
No ano passado, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil arrecadaram, juntos, R$ 15,155 bilhões com tarifas de contas bancárias — queda de 11% em 12 meses, segundo levantamento do Estadão/Broadcast com base nos balanços do quarto trimestre. Apenas o Santander Brasil registrou leve alta nessa linha de receita.
A retração contrasta com o crescimento de quase 5% das receitas totais com prestação de serviços, que somaram R$ 15,7 bilhões e incluem segmentos como seguros e cartões. Com isso, a conta-corrente passou a responder por 13% da arrecadação com serviços, ante 15% em 2024.
Os números refletem a pressão competitiva gerada pela abertura da indústria financeira, que impulsionou a expansão dos bancos digitais. Sem a estrutura pesada de agências físicas e com quadros menores de funcionários, as fintechs adotaram o modelo de tarifa zero como estratégia de aquisição de clientes — sobretudo entre públicos historicamente menos bancarizados.
Ao fim de 2025, o Nubank, principal símbolo dessa estratégia, superou os grandes bancos privados tradicionais e se tornou a instituição financeira com o maior número de usuários do país, com 112 milhões de clientes, atrás apenas da Caixa Econômica Federal, segundo dados do Banco Central do Brasil.
Sob pressão da concorrência, os bancos mais antigos passaram a reavaliar um modelo centrado na cobrança por transação. “A abordagem agora é mais relacional: a conta-corrente tende a ser um veículo gratuito para atrair o cliente e incentivá-lo a consumir serviços de maior valor agregado”, afirma Boanerges Ramos Freire, sócio e presidente da Boanerges & Cia Consultoria.
*Com informações do Estadão