A medida permite novamente a passagem de todos os navios mercantes pela rota
(Imagem: NASA / via Wikimedia Commons)
O governo do Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego de navios comerciais, após semanas de bloqueio em meio à escalada militar no Oriente Médio. A decisão vale durante o período de duas semanas do cessar-fogo em vigor na região e está ligada às negociações com os Estados Unidos.
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Ele afirmou que o estreito permanecerá “totalmente aberto” enquanto durar a trégua. A medida permite novamente a passagem de todos os navios mercantes pela rota, considerada uma das mais importantes do mundo para o comércio de energia.
O Estreito de Ormuz é a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde estão grandes produtores de petróleo. Por lá circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo.
O cessar-fogo, que também envolve a trégua no Líbano, tem duração prevista até a próxima semana, com término estimado para o dia 22 de abril. A reabertura ocorre após pressões internacionais, especialmente dos Estados Unidos, que vinham cobrando a normalização do fluxo marítimo na região.
A decisão teve reflexo imediato nos mercados internacionais. Após o anúncio, os preços do petróleo registraram queda de mais de 9% em algumas referências globais, com o WTI recuando a US$ 85,33 o barril, e o Brent a US$ 90,69, para maio. O dólar também registrou queda para R$ 4,95, enquanto o Ibovespa volta a flertar como os 200 mil pontos, recorde histórico.
Rota estratégica
O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, o que faz com que qualquer interrupção tenha impacto direto na oferta global e nos preços da commodity.
O canal estava praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando o Irã restringiu a passagem de embarcações após ataques militares conduzidos por Estados Unidos e Israel. Durante o período, o tráfego marítimo chegou a cair cerca de 70%, com mais de 150 navios aguardando autorização para atravessar a região.
A paralisação comprometeu cadeias globais de energia e elevou os preços do petróleo, que chegaram a subir até 13%, diante do risco de desabastecimento e impactos inflacionários em diversos países.
Apesar da liberação do tráfego, a reabertura é considerada temporária e condicionada ao cumprimento do cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o bloqueio naval norte-americano contra o Irã será mantido até a conclusão de um acordo definitivo.
A região segue sob tensão, com relatos de violações pontuais da trégua no Líbano e incertezas sobre a continuidade das negociações diplomáticas.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto e é a principal rota de exportação de petróleo de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Catar. Também concentra uma parcela relevante do comércio global de gás natural liquefeito.
Por sua relevância estratégica, o estreito é considerado um dos principais pontos de estrangulamento do comércio mundial de energia, e qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos econômicos significativos em escala global.