São Paulo | 19ºC
Ter, 22 de Setembro
Economia

Câmara aprova isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

 Proposta precisa agora ser votada no Senado

02 out 2025 - 15h06   atualizado em 02/12/2025 às 09h55
Câmara aprova isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil (Lula Marques/ Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º), com 493 votos favoráveis e nenhum contrário, o texto-base do projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que prevê isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil e desconto para quem ganha até R$ 7.350 mensais.

A proposta, encaminhada pelo governo federal, ainda terá que ser aprovada no Senado, antes da sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.

A redução do IR foi uma promessa de campanha de Lula em 2022. Enviado para a Câmara em março, o texto foi aprovado em uma comissão especial que analisou o texto.

Atualmente, são isentos do imposto quem ganha até R$ 3.036. O projeto determina que, em 2026, as pessoas que ganham até R$ 5 mil, terão um desconto mensal de até R$ 312,89, de modo que o imposto devido seja zero. Já quem ganha de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00, o desconto será de R$ 978,62.

Segundo o governo, com a aprovação da proposta, serão beneficiados com a isenção mais de 26,6 milhões de contribuintes, em 2026.

Após a aprovação unânime, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou que a aprovação é um dia histórico para o país e para o Parlamento.

"Aqui demonstramos que quando o tema é o bem-estar das famílias brasileiras, não há lados, nem divisões. É interesse do país acima de qualquer diferença", disse. "A Câmara dos Deputados sabe ouvir, decidir e estar ao lado do Brasil", acrescentou.

Compensação

Para compensar a isenção, cujo custo está estimado será de R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos, o projeto prevê a tributação das pessoas com rendimentos acima de R$ 600 mil por ano, com uma alíquota progressiva de até 10%.

A alíquota máxima incidirá para quem recebe anualmente a partir de R$ 1,2 milhão. Além disso, ela não será aplicada para quem já paga a alíquota máximo do IR, que é de 27,5%.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá cerca de 140 mil pessoas, 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, apenas 2,54% de Imposto de Renda.

O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), estima que haverá uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027 com a taxação. Em seu parecer, Lira destinou esses recursos para compensar a redução da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), instituída pela Reforma Tributária.

"É importante ressaltar que esse projeto vai atender diretamente a 15,5 milhões de pessoas no país. Esse projeto é fruto de uma base de cálculo de quase R$ 227 bilhões, que é apurado no imposto de renda no Brasil. E estamos discutindo uma renúncia de receita, no primeiro ano de, R$ 25,4 bilhões, portanto 10% do valor total do imposto de renda pago por todos os brasileiros", disse.

Justiça tributária

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que com o projeto, o país começa a fazer justiça tributária.

"Nosso país é um país da desigualdade, é um país onde uma ínfima minoria detém a maior parte da riqueza enquanto a maioria do povo brasileiro vive em difíceis condições. A justiça tributária precisa ser feita e esse projeto que mira na justiça tributária. Uma justiça que pode reduzir as desigualdades, que pode fazer com que as pessoas de menor renda e a classe média brasileira possam ter uma capacidade de consumo melhor, uma capacidade de viver melhor a sua vida", afirmou.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) lembrou que a iniciativa foi pautada após as manifestações de setembro contra a proposta de Emenda à Constituição (PEC) das prerrogativas, a chamada PEC da Blindagem e o projeto de anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

"Esse projeto é muito importante, milhões de brasileiros serão impactados com a redução imediata do imposto de renda e com a redução para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil e, ao mesmo tempo, um imposto mínimo que vai ser cobrado dos super-ricos", completou.

Críticas

A iniciativa foi objeto de críticas de alguns parlamentares. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) disse que os recursos não irão para os mais pobres e criticou a tributação de lucros e dividendos.

"Vamos cobrar dos mais ricos, são só 140 mil pessoas para dar para os mais pobres. Isso é mentira! Esse dinheiro não vai para os mais pobres, vai para os políticos. E é melhor que esse dinheiro ficasse ainda que com os mais ricos, porque são eles que empregam, compram as máquinas, fazem os produtos", argumentou.

O texto determina que o emprego ou a entrega de lucros e dividendos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil em montante superior a R$ 50 mil mensal ficará sujeito à retenção na fonte do IRPF à alíquota de 10% sobre o total do valor pago, creditado, empregado ou entregue.

Não ficarão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na fonte, os lucros e dividendos relativos a resultados apurados até o ano-calendário de 2025, e cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.

Mais cedo, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) classificou a medida como "populista", apesar de concordar que seja necessária. "É só jogada política, clientelismo, por que Lula não apresentou isso no primeiro ano [de governo]?", questionou.

Para o deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), a proposta é uma medida eleitoral, mas sem reparo estrutural. "Isso resolveu o problema do imposto dos pobres? Não. O pobre continua pagando a mais alta carga tributária do mundo. Isso é enganação. Não tem nada a ver com a reestruturação do sistema de carga tributária sobre os pobres", disse.

* Com informações da Agência Brasil

Leia Também
Barueri e Santana de Parnaíba somam mais de 15 mil empresas abertas em 2026
EMPREENDEDORISMO Barueri e Santana de Parnaíba somam mais de 15 mil empresas abertas em 2026
MP junto ao TCU pede cautelar para suspender decreto que aumentou valor do Bolsa Família
Orçamento MP junto ao TCU pede cautelar para suspender decreto que aumentou valor do Bolsa Família
BC atualiza o regulamento do Pix e ajusta regra sobre penalidade de exclusão
Transações bancárias BC atualiza o regulamento do Pix e ajusta regra sobre penalidade de exclusão
Governo reajusta Bolsa Família em 15% a 17 dias das eleições
Novo valor Governo reajusta Bolsa Família em 15% a 17 dias das eleições
Barueri abre última anistia fiscal antes das mudanças da Reforma Tributária
CONTAS EM DIA Barueri abre última anistia fiscal antes das mudanças da Reforma Tributária
Motoristas que pagaram multa do free flow podem pedir reembolso; veja como
Ressarcimento Motoristas que pagaram multa do free flow podem pedir reembolso; veja como
Catarina Fashion Outlet terá descontos de até 60% entre 18 e 20 de setembro
Liquidação Catarina Fashion Outlet terá descontos de até 60% entre 18 e 20 de setembro
Casas Bahia leiloa 501 lotes de eletrodomésticos neste sábado (12)
Arremate Casas Bahia leiloa 501 lotes de eletrodomésticos neste sábado (12)
Caixa e Banco do Brasil têm paralisações a partir desta quinta (10)
Bancos Caixa e Banco do Brasil têm paralisações a partir desta quinta (10)
Petrobras volta atrás e cancela reajuste da gasolina horas após anúncio
Combustível Petrobras volta atrás e cancela reajuste da gasolina horas após anúncio
Mais Lidas
Chuvas de setembro acrescentam 208 bilhões de litros aos reservatórios da Grande SP
MANANCIAIS Chuvas de setembro acrescentam 208 bilhões de litros aos reservatórios da Grande SP
Operação sobre PCC e empresas de ônibus cumpre mandados em Santana de Parnaíba
CRIME ORGANIZADO Operação sobre PCC e empresas de ônibus cumpre mandados em Santana de Parnaíba
Usina de resíduos de Barueri tem previsão de conclusão no começo de 2027
RETA FINAL Usina de resíduos de Barueri tem previsão de conclusão no começo de 2027
Sistema de condomínio de Alphaville identifica procurado pela Justiça e PM efetua prisão
Residencial 2 Sistema de condomínio de Alphaville identifica procurado pela Justiça e PM efetua prisão