(Ilona Celeste/Unsplash)
Manter a saúde dos cães é um desafio contínuo, especialmente em relação às doenças crônicas, como as articulares, que estão entre as mais recorrentes.
A médica-veterinária Patricia Guimarães, Coordenadora de Serviços Técnicos da Unidade Pet da Vetoquinol Saúde Animal, explica que quando não tratadas corretamente, além das limitações físicas que impõem aos animais, essas condições afetam também o estado emocional dos pets.
"Se o tratamento prescrito não for assertivo ou conduzido corretamente pelo tutor, o sofrimento do pet pode se estender para além da dor física. Em longo prazo, o cão pode desenvolver comportamentos semelhantes à depressão, agravando ainda mais a percepção da dor, o que dificulta a recuperação e compromete a qualidade de vida do animal", disse.
Dor crônica
A dor crônica não tratada, principalmente quando causada por doenças articulares como a osteoartrite, pode afetar muito mais do que a mobilidade dos cães.
Com dores constantes, eles tendem a ser menos ativos, evitam brincadeiras e reduzem suas interações com pessoas e outros animais.
Esse comportamento pode levar ao isolamento, aumentar a ansiedade e o medo, além de gerar maior sensibilidade a estímulos do ambiente.
Com o tempo, essas mudanças afetam diretamente o bem-estar emocional e a qualidade de vida do animal.
No aspecto físico, as doenças articulares provocam sinais clínicos claros, como rigidez muscular e articular, dificuldade de locomoção, vocalizações de dor e outros sinais de desconforto.
Associado a isso, é comum que os cães apresentem alterações comportamentais, especialmente ao toque, como inquietação, medo e em alguns casos, agressividade — respostas emocionais complexas que refletem o impacto da dor consistente.
"As enfermidades articulares crônicas comprometem o bem-estar do cão em várias dimensões. A dor e os estados emocionais negativos tendem a se retroalimentar. Por meio de alterações neuroendócrinas e neuroquímicas complexas, a dor aguda não tratada pode evoluir para um quadro crônico, desencadeando comportamentos compatíveis com a depressão. Esse quadro emocional, por sua vez, intensifica a percepção da dor, estabelecendo um ciclo vicioso que dificulta tanto o manejo clínico quanto a recuperação do animal", detalha Patricia.
No inverno
Durante o inverno, as madrugadas e noites de temperaturas baixas contribuem para agravar o quadro, intensificando a dor em cães com problemas articulares. A idade também é um fator relevante: animais idosos são mais propensos a apresentar dores mais intensas e limitações mais severas.
A médica-veterinária orienta o tutor a estar atento aos sinais comportamentais e físicos do animal, mas, acima de tudo, manter visitas regulares às clínicas. "A identificação precoce de doenças articulares permite iniciar o tratamento antes que o quadro se agrave, preservando a saúde e o bem-estar do pet."
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