O estudo analisou mais de 1 milhão de participantes nos Estados Unidos que receberam vacinas atualizadas contra a Covid-19
(Imagem: Myke Sena / Ministério da Saúde)
A vacinação contra a Covid-19 pode trazer benefícios que vão além da prevenção das formas graves da doença. Um estudo publicado em 15 de junho de 2026 na revista científica JAMA Internal Medicine apontou que idosos que receberam a vacina atualizada contra a doença apresentaram menor risco de desenvolver eventos cardiovasculares graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. anos.
A pesquisa observou uma redução de aproximadamente 38% nesses desfechos quando comparados a pessoas que receberam apenas a vacina contra a gripe. Entre os participantes com mais de 75 anos, a proteção foi ainda maior, com queda superior a 50% na ocorrência dos eventos analisados.
O estudo analisou mais de 1 milhão de participantes nos Estados Unidos, dos quais 349.085 receberam as vacinas atualizadas para a temporada 2024-2025. Os imunizantes utilizados foram os da Moderna, responsáveis por 65,4% das aplicações, seguidos pela Pfizer-BioNTech (34,1%) e pela Novavax (0,5%).
Os voluntários foram acompanhados por até oito meses. Para reduzir o chamado "viés do vacinado saudável" (situação em que pessoas vacinadas tendem a apresentar hábitos mais saudáveis e melhores indicadores de saúde) os pesquisadores adotaram critérios estatísticos para equilibrar as características dos grupos comparados.
Segundo os autores, a vacinação evitou dois eventos cardiovasculares graves relacionados à Covid-19 para cada grupo de 10 mil pessoas imunizadas. Quando foram considerados todos os episódios cardiovasculares, independentemente de estarem diretamente ligados à infecção pelo coronavírus, o número de ocorrências evitadas subiu para 24 a cada 10 mil vacinados.
Na projeção feita pelos cientistas, em uma população de 1 milhão de pessoas, a vacinação poderia evitar aproximadamente 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos ao longo de oito meses.
Os pesquisadores explicam que infecções por Covid-19 podem desencadear processos inflamatórios capazes de aumentar o risco de complicações cardíacas e cerebrovasculares. Dessa forma, ao impedir a infecção ou reduzir sua gravidade, a vacina também contribuiria para diminuir esses desfechos.
Os resultados mais expressivos foram observados entre pessoas com 75 anos ou mais. Nas demais faixas etárias avaliadas, os dados não alcançaram significância estatística, o que impede afirmar com segurança que o mesmo efeito protetor ocorreu em indivíduos mais jovens.
Os autores ressaltam que o estudo demonstra uma associação entre a vacinação e a redução dos eventos cardiovasculares, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os achados reforçam evidências de que a imunização pode representar uma ferramenta adicional na prevenção de complicações cardíacas em idosos.
Benefícios já haviam sido identificados
Nos últimos anos, estudos semelhantes já haviam demonstrado benefícios cardiovasculares associados a outras vacinas, como a da influenza. Especialistas passaram a considerar a imunização como uma estratégia complementar de prevenção para pacientes com fatores de risco cardíaco.
No Brasil, o Ministério da Saúde mantém a recomendação de vacinação contra a Covid-19 para grupos prioritários, entre eles idosos, imunocomprometidos e pessoas com comorbidades. A pasta destaca que a imunização continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir formas graves da doença e reduzir internações e mortes.