O resultado foi confirmado após análises laboratoriais em duas amostras coletadas em momentos distintos
(Imagem: Agência SP)
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) descartou o segundo caso suspeito de doença pelo vírus Ebola registrado no Estado em 2026. O resultado foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), após análises laboratoriais em duas amostras coletadas em momentos distintos, conforme os protocolos internacionais.
O caso notificado na última quarta-feira (10) é de uma paciente brasileira de 31 anos que retornou recentemente da República Democrática do Congo e apresentou sintomas como febre e diarreia. Após atendimento em um hospital particular da capital, ela foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde permanece internada, com boa evolução clínica, recebendo tratamento para gastroenterocolite aguda.
“Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção. Nessa situação, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. As duas amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para o descarte do caso”, explica Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz.
É o segundo caso descartado no ano
Este é o segundo episódio investigado em São Paulo neste ano. Em 1º de junho, um homem de 37 anos, também com histórico recente de viagem à República Democrática do Congo, teve a suspeita da doença afastada.
“Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
As investigações foram conduzidas pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), que notificou os casos ao Ministério da Saúde após os pacientes apresentarem sintomas compatíveis e histórico de viagem para áreas com transmissão ativa do vírus.
Intensificação preventiva
Após o primeiro caso suspeito registrado no Estado, a Secretaria da Saúde intensificou as ações de preparação da rede. Nos dias 8 e 9 de junho, mais de 1,1 mil profissionais de saúde participaram de uma capacitação sobre vigilância epidemiológica, fluxos de atendimento, biossegurança e resposta a eventuais casos suspeitos.
A pasta também atualizou a nota técnica sobre a doença, reforçando que o risco de introdução do Ebola no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo. O documento traz orientações para identificação, notificação e monitoramento de pacientes e contatos, além de destacar que, até o momento, não existem vacinas licenciadas nem tratamentos específicos aprovados para o vírus Bundibugyo.
Sobre o Ebola
O Ebola provoca sintomas súbitos como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros mais graves, podem ocorrer manifestações hemorrágicas, choque e falência de múltiplos órgãos.
A transmissão acontece apenas após o surgimento dos sintomas, por meio do contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. O vírus não é transmitido pelo ar.
Segundo os protocolos de vigilância epidemiológica, é considerado caso suspeito de Ebola o indivíduo que, nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas, tenha permanecido, residido ou viajado para uma área com transmissão ativa da doença, ou que tenha vindo de um país com circulação do vírus quando não for possível determinar com segurança os locais visitados.
Além do histórico de exposição, a pessoa deve apresentar febre e/ou calafrios, associados ou não a sintomas como diarreia, vômitos e manifestações hemorrágicas.