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Saúde

Novo caso suspeito de Ebola em São Paulo mobiliza vigilância epidemiológica

11 jun 2026 - 11h59 Aliz Lambiazzi   atualizado às 12h04
Novo caso suspeito de Ebola em São Paulo mobiliza vigilância epidemiológica Os protocolos de biossegurança foram adotados desde a notificação do caso (Imagem: Agência SP)

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investiga um novo caso suspeito de doença causada pelo vírus Ebola na capital paulista, notificado nesta quarta-feira (10). A paciente é uma brasileira de 31 anos que retornou recentemente da República Democrática do Congo e apresentou sintomas compatíveis com a enfermidade, levando à adoção imediata dos protocolos de vigilância e biossegurança.

Segundo a pasta, a mulher desembarcou no Brasil no último dia 6 de junho, após viagem de trabalho à província de Kivu do Norte, região localizada no leste da República Democrática do Congo. Três dias depois, em 9 de junho, ela passou a apresentar febre e diarreia, procurando atendimento em um hospital particular da capital paulista.

Diante do histórico de viagem a uma área com registros da doença e da presença dos sintomas, a paciente foi enquadrada nos critérios para caso suspeito de Ebola. Na madrugada desta quarta-feira (10), ela foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade de referência nacional para o atendimento de casos suspeitos ou confirmados da enfermidade.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a paciente permanece estável, internada em leito de isolamento e sob acompanhamento especializado. Os protocolos de biossegurança foram adotados desde a notificação do caso. Um teste rápido para malária apresentou resultado negativo, enquanto os exames laboratoriais para confirmação ou descarte do Ebola seguem em análise pelo Instituto Adolfo Lutz.

Este é o segundo caso suspeito da doença registrado em São Paulo em 2026. No início do mês, um homem de 37 anos, também procedente da República Democrática do Congo, foi investigado por suspeita de infecção pelo vírus. Após exames laboratoriais, o caso foi descartado. As análises identificaram a presença da bactéria Neisseria meningitidis, responsável pela meningite meningocócica. O paciente permanece internado no Emílio Ribas, apresentando evolução clínica favorável.

Nos dois episódios, a assistência aos pacientes e a condução das investigações foram coordenadas pela Secretaria de Estado da Saúde em conjunto com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), responsável pela notificação dos casos suspeitos ao Ministério da Saúde.

Vigilância reforçada

Após o registro da primeira suspeita de Ebola no país neste ano, o governo paulista ampliou as ações de vigilância epidemiológica e capacitação dos profissionais de saúde.

Nos dias 8 e 9 de junho, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) promoveu uma webconferência voltada à preparação da rede estadual para possíveis ocorrências da doença. Mais de 1,1 mil profissionais participaram do treinamento, que abordou temas relacionados à identificação de casos suspeitos, fluxos de atendimento, medidas de prevenção, manejo clínico e resposta segura nos serviços de saúde.

Além disso, em 3 de junho, a Secretaria da Saúde atualizou uma nota técnica com orientações detalhadas sobre identificação, notificação, investigação, acompanhamento de pacientes e monitoramento de contatos, reforçando os procedimentos a serem adotados em toda a rede assistencial.

Transmissão e risco para a população

As autoridades sanitárias destacam que o Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre exclusivamente por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e sintomáticas. Não há transmissão durante o período de incubação do vírus.

A Secretaria de Estado da Saúde também reforça que o risco de introdução e disseminação da doença no Brasil e na América do Sul continua sendo considerado muito baixo. O acompanhamento rigoroso dos casos suspeitos e a rápida adoção dos protocolos de isolamento fazem parte das estratégias para evitar qualquer possibilidade de transmissão.

Outro ponto destacado pelas autoridades é que, atualmente, não existem vacinas licenciadas nem tratamentos específicos aprovados para a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, motivo pelo qual a detecção precoce e o controle epidemiológico permanecem fundamentais para a proteção da população.

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