Pesquisa eleitoral da Quaest aborda diversos aspectos da população
(Imagem: Imagem criada com IA)
A nova pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial mostra diferenças importantes nas intenções de voto de acordo com região, gênero, idade, escolaridade, renda, religião, cor e identificação política dos eleitores.
No cenário que inclui Pablo Marçal (PRTB), Lula (PT) lidera com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, e Augusto Cury (Avante), com 8%.
Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 3% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) registra 2%. Samara (UP) e Pablo Marçal têm 1% cada.
O levantamento mostra que as maiores vantagens de Lula estão entre os eleitores de menor renda, com menor escolaridade, no Nordeste e entre os que se declaram pretos. Flávio, por outro lado, abre suas maiores diferenças no Centro-Oeste, entre evangélicos e nas faixas de renda mais altas.
Nordeste e Centro-Oeste têm maiores diferenças
A divisão regional é uma das mais evidentes. No Nordeste, Lula alcança 52%, contra 20% de Flávio Bolsonaro. Cury tem 10%, Renan Santos, 3%, e Caiado, 2%.
No Norte, Lula também aparece à frente, com 42%, e Flávio tem 28%. Cury registra 4%, Caiado, 3%, e Renan, 2%.
O quadro se inverte no Centro-Oeste, onde Flávio alcança 43%, mais que o dobro dos 21% de Lula. Caiado, governador de Goiás, chega a 9%, mesmo percentual de Cury. Renan tem 4%.
No Sudeste, região que inclui São Paulo, Flávio registra 33% e Lula, 30%, diferença dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais para a região. Cury aparece com 8%.
Situação semelhante ocorre no Sul: Flávio tem 35% e Lula, 28%, com margem de erro regional de cinco pontos. Cury registra 9%.
Marçal alcança seu melhor resultado regional no Sul, com 2%. Tem 1% no Sudeste, Centro-Oeste e Norte e não pontua no Nordeste.
A própria Quaest observa que a geografia eleitoral continua semelhante à registrada nos últimos anos: Lula preserva sua principal força no Nordeste, enquanto o campo bolsonarista tem desempenho mais favorável no Sul e em parte do Centro-Oeste.
Diferença entre mulheres é maior
Lula registra 37% entre as mulheres, contra 26% de Flávio. Cury tem 9%, Caiado, 3%, e Renan, 2%.
Entre os homens, a distância entre os dois primeiros cai: 35% para Lula e 33% para Flávio, configurando empate técnico. Cury aparece com 8%, seguido por Renan, com 4%.
Marçal tem 1% tanto entre mulheres quanto entre homens.
Lula cresce entre os mais velhos
Por idade, a disputa é mais apertada entre os jovens. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula tem 32% e Flávio, 30%. Cury alcança 11% e Renan Santos, 6%.
Na faixa dos 35 aos 59 anos, Lula sobe para 36% e Flávio registra 28%. Cury tem 9%.
A maior distância aparece entre os eleitores de 60 anos ou mais: Lula chega a 45%, ante 30% de Flávio. Cury cai para 4%.
Marçal registra 1% nas três faixas etárias.
Renda produz uma das maiores divisões
O recorte por renda familiar apresenta um dos contrastes mais fortes de toda a pesquisa.
Entre quem recebe até dois salários mínimos, Lula chega a 49%, enquanto Flávio tem apenas 18%. Cury aparece com 5%, Renan, 3%, e Caiado, 2%.
Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos, o cenário fica praticamente empatado: Flávio registra 33% e Lula, 32%. Cury aparece com 9%.
Já entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, Flávio sobe para 39%, dez pontos à frente de Lula, com 29%. Cury alcança 10%.
Marçal não pontua entre os entrevistados de renda mais baixa, tem 1% na faixa intermediária e chega a 2% entre os que recebem mais de cinco salários mínimos.
Escolaridade também muda o cenário
A diferença é expressiva entre os eleitores com Ensino Fundamental: Lula alcança 45%, contra 23% de Flávio. Cury tem 5%.
Entre aqueles com Ensino Médio, Flávio aparece com 33% e Lula, 29%. Cury registra 10%.
No grupo com Ensino Superior, há equilíbrio: Flávio tem 33%, Lula, 32%, e Cury, 11%. Considerando a margem de erro de cinco pontos desse segmento, os dois primeiros estão tecnicamente empatados.
Marçal registra 1% entre eleitores com Ensino Fundamental e Médio e 2% entre aqueles com Ensino Superior.
Católicos e evangélicos seguem caminhos diferentes
A religião também marca uma divisão clara.
Entre os católicos, Lula registra 41%, contra 26% de Flávio. Cury aparece com 7%, enquanto Renan e Caiado têm 3% cada.
Entre os evangélicos, ocorre o inverso. Flávio chega a 42%, enquanto Lula tem 22%. Cury registra 9%.
Marçal tem 1% nos dois grupos religiosos.
Lula tem maior vantagem entre eleitores pretos
No recorte por cor, Lula alcança seu melhor desempenho entre os entrevistados que se declaram pretos, com 46%, contra 25% de Flávio. Cury registra 6%.
Entre os pardos, Lula tem 38%, Flávio, 26%, e Cury, 8%.
Já entre os brancos, Flávio registra 35% e Lula, 32%. A diferença está dentro da margem de erro de três pontos percentuais do segmento. Cury tem 9%.
Marçal registra 2% entre brancos, 1% entre pretos e não pontua entre pardos.
Lula e Flávio dominam suas bases políticas
O recorte por identificação política revela bases fortemente consolidadas para os dois primeiros colocados.
Entre os lulistas, Lula concentra 90% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 3%. Entre aqueles que se consideram de esquerda, mas não lulistas, o presidente registra 75%, contra 6% de Flávio e 5% de Cury.
Do outro lado, Flávio chega a 90% entre os bolsonaristas, enquanto Lula registra 2%. Entre os eleitores de direita, mas não bolsonaristas, o candidato do PL tem 67%, Cury alcança 8% e Lula, 4%.
É entre os independentes que surge um cenário diferente. Lula lidera numericamente com 24%, mas Cury cresce para 17%, mais que o dobro de seus 8% no resultado geral. Flávio tem apenas 9%. Renan Santos e Caiado registram 5% cada, e Zema, 4%.
Nesse grupo, há ainda 18% de indecisos e 15% que declaram voto branco, nulo ou que não pretendem votar, indicando um eleitorado muito menos consolidado do que as bases ideológicas dos dois principais candidatos.
A análise publicada pela própria Quaest aponta justamente a força dos dois polos: Lula e o bolsonarismo mantêm bases eleitorais resistentes, enquanto os eleitores fora desses campos são decisivos para a disputa.
Situação de Pablo Marçal
Apesar de aparecer na pesquisa, Pablo Marçal enfrenta obstáculos para efetivar sua candidatura à Presidência.
Cinco candidaturas ainda aguardam julgamento pela Justiça Eleitoral, entre elas as de Pablo Marçal, Augusto Cury e Renan Santos. Apesar de ainda não terem o registro definitivamente analisado, os três nomes aparecem no cenário pesquisado pela Quaest.
Marçal está inelegível até 2032 por decisão relacionada ao chamado “campeonato de cortes”, promovido durante a campanha municipal de 2024. Em agosto, o TSE também o proibiu, por liminar, de utilizar recursos públicos de campanha, participar da propaganda eleitoral gratuita, debates e demais atos de propaganda enquanto seu registro não fosse decidido. A Corte ressaltou que a medida não antecipava o julgamento definitivo do pedido.
O TRE-SP chegou a reverter, em 25 de agosto, outra condenação que também impunha inelegibilidade a Marçal, mas há processos distintos envolvendo o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo.
Sobre a pesquisa
A Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 3 e 6 de setembro.
A margem de erro varia nos recortes apresentados. É de três pontos percentuais para homens e mulheres e chega, por exemplo, a cinco pontos entre pessoas com Ensino Superior e a sete pontos entre eleitores pretos. Por isso, diferenças numéricas entre candidatos dentro dessas margens não significam necessariamente vantagem estatística.
A Quaest adotou mudanças metodológicas para as eleições de 2026, incluindo critérios para que diferentes perfis políticos estejam representados na amostra. Segundo o instituto, os municípios e setores censitários pesquisados são selecionados levando em conta características políticas e sociais do eleitorado.