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Trabalho

IBGE mostra que 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas de serviços no Brasil em 2025

04 set 2026 - 16h26   atualizado às 16h46
IBGE mostra que 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas de serviços no Brasil em 2025 Pesquisa analisou o perfil e as condições de trabalho de profissionais de aplicativos de transporte, entrega e serviços (Imagem: Felipe Barros / Folha de Alphaville)

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas digitais de serviços no Brasil, em 2025, o equivalente a 1,9% de toda a população ocupada no período. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada nesta sexta-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa investigou o perfil socioeconômico e as condições de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, aplicativos de entrega de comida e produtos e aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

As plataformas foram o único ou principal trabalho para 1,8 milhão de pessoas (92,1% do total) em 2025 e o meio secundário para 182 mil trabalhadores (9,3%). Para 28 mil pessoas (1,5%), os aplicativos eram tanto o trabalho principal quanto secundário Além disso, 38,8% dos trabalhadores plataformizados trabalhavam de forma exclusiva por aplicativo e com apenas uma plataforma.

As edições anteriores da pesquisa, realizadas em 2022 e 2024, investigaram as plataformas apenas como trabalho único ou principal. Em 2022, os aplicativos foram a principal fonte de trabalho para 1,3 milhão de pessoas, o equivalente a 1,5% da população ocupada no setor privado, contra 1,7 milhão em 2024 (1,9% da população ocupada).

"As plataformas têm oferecido oportunidades de geração de renda para muitos trabalhadores e permitido que as empresas alcancem novos mercados e reduzam custos. Por outro lado, representam um importante desafio para as condições de trabalho", afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, ao comentar os resultados.

Homens são maioria trabalhando em apps

Para traçar o perfil sociodemográfico, a renda e a jornada de trabalho desses trabalhadores em 2025, o IBGE considerou apenas o contingente que utilizava as plataformas como trabalho único ou principal. Os homens correspondiam a 84,4% do total de trabalhadores de plataformas no ano passado, enquanto as mulheres representavam 15,6%.

Em relação à faixa etária, o IBGE observou uma alta concentração na população jovem adulta. O grupo de 25 a 39 anos respondeu por quase metade dos plataformizados, com 47% do total. O estudo não detalha a faixa etária para cada tipo específico de plataforma de serviço. Os indivíduos com ensino médio completo ou superior incompleto formavam a maior categoria, com 62,5% dos plataformizados, ante 45,3% entre os não plataformizados.

Os trabalhadores por conta própria correspondiam a 86,8% dos trabalhadores em aplicativos. Os empregadores eram 4,5% dos plataformizados e os empregados no setor privado representavam 8,1%. Entre os do setor privado, 4,5% tinham carteira assinada e 3,5% não tinham.

O IBGE ressalta que o valor contrasta com a distribuição entre o total de ocupados do setor privado, composto por 43,8% de empregados com carteira assinada, 28,9% de trabalhadores por conta própria, 15,1% de trabalhadores sem carteira e 4,7% de empregadores.

Motivos para trabalhar em plataformas

Os motivos declarados por profissionais que têm as plataformas como trabalho principal concentraram-se em três fatores: flexibilidade de horários e dias de trabalho (26,8%); não conseguir encontrar outro trabalho (24,6%); rendimento ser maior do que em outras opções disponíveis (20,8%). A complementação da renda foi apontada por 16,6%.

Já entre quem exercia o trabalho em plataforma como atividade secundária, 87,7% desejavam complementar a renda. Os demais motivos somaram apenas 12,3%.

Distribuição geográfica

O Sudeste respondeu por 55,3% do total de trabalhadores em plataformas de serviço no país, com 1,083 milhão de pessoas.

O Nordeste respondeu por 19,7% do total do país; o Sul por 11,7%, o Centro-Oeste por 7,3% e o Norte por 6%.

Plataformizados trabalham 5,4 horas a mais que outros trabalhadores do setor privado

Os trabalhadores em plataformas de serviços cumpriam uma jornada média de 44,7 horas semanais em 2025, o que representa 5,4 horas a mais do que a jornada dos demais trabalhadores ocupados do setor privado, de 39,3 horas. 

A pesquisa investigou o perfil socioeconômico e as condições de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, aplicativos de entrega de comida e produtos e aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

Embora a jornada média semanal dos profissionais de aplicativo tenha registrado uma redução gradual de 1,7 horas desde 2022, quando era de 46,4 horas, ela permanece substancialmente superior à do mercado de trabalho não plataformizado.

O rendimento médio dos trabalhadores de plataformas, por sua vez, ficou em R$ 3.147, praticamente igual ao de trabalhadores do mercado tradicional (R$ 3.148). Como consequência, o rendimento-hora médio do trabalhador de aplicativos ficou em R$ 16,2 por hora, 12% inferior ao das demais ocupações (R$ 18,4/hora).

"Mesmo que os trabalhadores de aplicativos tivessem maior flexibilidade para trabalhar, para escolher onde e quando trabalhar, ainda assim a jornada de trabalho era maior", destacou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE.

O total apurado de rendimentos e horas considera tanto os trabalhadores formais (com carteira assinada) quanto os informais (sem carteira assinada) do mercado tradicional e das plataformas. O IBGE também analisou a renda em relação às horas trabalhadas dos motoristas de aplicativos e motociclistas.

Os motoristas de aplicativo receberam, em média, R$ 2.873. O valor é 2,4% superior ao recebido pelos demais motoristas, que ganharam R$ 2.805. No entanto, o profissional de aplicativo trabalhou 5,5 horas a mais por semana do que os demais.

Como consequência, o rendimento-hora dele era de R$ 14,4, valor 11,1% inferior ao dos motoristas tradicionais (R$ 16,0/hora). Mesmo quando comparados aos motoristas tradicionais informais, que ganharam, em média, R$ 15,7/hora, os plataformizados ainda ganhavam menos por hora trabalhada.

No caso dos motociclistas, os condutores por aplicativo registraram rendimento mensal de R$ 2.221, valor 23,3% maior que os R$ 1.802 dos motociclistas em trabalhos tradicionais.

Sob a ótica do rendimento-hora, os R$ 11,4 recebidos pelos profissionais de aplicativos superavam em 12,9% os R$ 10,1 dos trabalhadores fora das plataformas.

Segundo o IBGE, a aparente vantagem salarial só existe porque o mercado de motociclistas não plataformizados é puxado para baixo pelo contingente informal, que ganha apenas R$ 9,0 por hora trabalhada. Os motociclistas tradicionais que atuavam com carteira assinada (no mercado formal) ganhavam R$ 12,1 por hora, superando o ganho por hora das plataformas, além de contarem com a cobertura previdenciária e direitos trabalhistas

Renda estagnada

O rendimento médio mensal recebido pelos trabalhadores de plataformas ficou praticamente estável entre 2025 e 2022, quando o estudo foi feito pela primeira vez. Em valores absolutos, o rendimento médio desse grupo evoluiu de R$ 3.115 em 2022 para R$ 3.151 em 2024, recuando levemente para R$ 3.147 em 2025.

Em contrapartida, o rendimento médio dos demais trabalhadores do setor privado expandiu 10,6% no mesmo intervalo, quando passou de R$ 2.847 em 2022 para R$ 3.148 em 2025.

Segundo o IBGE, a trajetória eliminou a vantagem de rendimento que os trabalhadores por aplicativo apresentavam no início da série histórica, que chegou a 9,4% a favor dos plataformizados frente aos não plataformizados.

O resultado geral foi influenciado pela estabilização do rendimento de motoristas e motociclistas, explica o técnico do IBGE: "As duas categorias representam cerca de três quartos do total de plataformizados. E não houve, nesse período, nenhum ganho real para o condutor de automóvel e para o motociclista por aplicativo. Isso respondeu, em parte, pela estagnação do rendimento dos plataformizados".

Segundo Fontes, a estagnação pode estar relacionada, entre outros fatores, à maior oferta de trabalho e ao aumento do contingente de pessoas disputando corridas e entregas nas plataformas digitais

 

Por Paula Martini
FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

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