Flávio Bolsonaro lidera os gastos de campanha entre os principais presidenciáveis
(Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência já declarou quase R$ 50 milhões em despesas à Justiça Eleitoral, o maior volume entre os presidenciáveis até o momento. Os gastos registrados chegam a R$ 49.985.369 e representam cerca de 56% do limite permitido para o primeiro turno.
A diferença para os principais concorrentes é expressiva. Enquanto Flávio Bolsonaro declarou R$ 49,98 milhões em despesas contratadas, Ronaldo Caiado (PSD) aparece em seguida, com R$ 20,94 milhões. Romeu Zema (Novo) registra R$ 2,61 milhões, e Renan Santos (Missão), R$ 644,6 mil.
Na outra ponta estão Lula (PT), com R$ 100 mil, e Augusto Cury (Avante), com R$ 55,2 mil em despesas contratadas até as respectivas atualizações das prestações de contas.
Somados, Caiado, Zema, Renan, Lula e Cury contrataram cerca de R$ 24,36 milhões em despesas. Ou seja, Flávio declarou mais que o dobro do total desses cinco adversários juntos.
Os valores são parciais e podem mudar durante a campanha. As prestações também são atualizadas em momentos diferentes conforme os dados são enviados à Justiça Eleitoral, o que significa que os números representam a fotografia disponível de cada candidatura, e não necessariamente despesas realizadas no mesmo dia.
Para a disputa presidencial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu teto de R$ 88.944.030,80. O valor foi mantido no mesmo patamar aplicado na eleição de 2022, decisão que considerou, entre outros fatores, a manutenção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em R$ 4,9 bilhões.
Serviços concentram gastos de Flávio
A maior parcela das despesas de Flávio está concentrada em serviços prestados por terceiros, que somam R$ 39,63 milhões, aproximadamente 79% do total declarado.
Entre os principais fornecedores aparece a F.A.R.O Propaganda e Publicidade, que recebeu R$ 13,1 milhões. A empresa é comandada pelo publicitário Duda Lima, responsável pelo marketing da candidatura.
Outro investimento da campanha está na chamada “TV Celular”, uma programação transmitida 24 horas por dia pelo YouTube, criada para produzir e distribuir conteúdo eleitoral. O projeto custou R$ 3 milhões e começou a funcionar nesta terça-feira (8).
Também aparecem entre as maiores despesas R$ 5,03 milhões pagos à Paranoá Digital Produção Cinematográfica; R$ 3,7 milhões à Áurea Tecnologia e Soluções; R$ 3,6 milhões à Algoritmo Dados Estratégia e Comunicação; e R$ 3,4 milhões à RMR Consultoria de Inteligência.
A campanha declarou ainda R$ 3,33 milhões em serviços advocatícios, R$ 2,25 milhões em transporte e deslocamento, R$ 1,02 milhão em serviços contábeis, R$ 931 mil em publicidade por adesivos e R$ 765 mil em pesquisas ou testes eleitorais.
Recursos vêm principalmente do PL
Até esta terça, a candidatura de Flávio declarou R$ 44,37 milhões em receitas, valor inferior às despesas contratadas até agora. A diferença não significa necessariamente irregularidade, já que receitas e despesas seguem sendo registradas durante a campanha e a prestação de contas ainda é parcial.
Do dinheiro recebido, R$ 42,9 milhões vieram da direção nacional do PL, correspondendo a cerca de 97% das receitas declaradas. Outros R$ 1,46 milhão foram provenientes de pessoas físicas.
Entre os principais doadores individuais estão Erasmo Carlos Battistella, fundador e presidente da empresa de biocombustíveis Be8, com R$ 500 mil; Walter Schlatter, empresário do agronegócio e prefeito de Chapadão do Sul (MS), com R$ 300 mil; Waldemar Verdi Júnior, presidente do Conselho de Administração da Rodobens, com R$ 180 mil; e o advogado Alexandre Ribeiro Chequer, do Tauil & Chequer Advogados, com R$ 120 mil.
Caiado é o segundo entre os principais candidatos
Entre os adversários de Flávio, Caiado apresenta o segundo maior volume de despesas: R$ 20,94 milhões. Praticamente todo o valor está concentrado em um único fornecedor, a Epos Brasil Estratégia, Comunicação e Tecnologia, que recebeu R$ 20 milhões por serviços e produção de programas de rádio, televisão ou vídeo.
A campanha do candidato do PSD havia declarado R$ 6,63 milhões em receitas. O fato de as despesas contratadas superarem os recursos recebidos não significa, isoladamente, irregularidade, já que as prestações são parciais e contratos podem ser registrados antes do pagamento.
Zema aparece bem abaixo, com R$ 2,62 milhões em despesas e R$ 3,4 milhões arrecadados. Já Renan Santos declarou R$ 644,7 mil em gastos e R$ 1,31 milhão em receitas. No caso do candidato do Missão, a maior parte dos recursos informados até agora veio de financiamento coletivo.
Lula arrecadou R$ 35,9 milhões, mas declarou poucos gastos
A diferença mais acentuada aparece na comparação com Lula. Embora sua campanha já tenha recebido R$ 35,92 milhões, apenas R$ 100.036 apareciam como despesas declaradas na atualização consultada.
Do total arrecadado, R$ 35,15 milhões vieram da direção nacional do PT, equivalente a cerca de 98% das receitas. As despesas registradas até então estavam praticamente concentradas em materiais impressos.
Curiosamente, Erasmo Carlos Battistella aparece também entre os doadores de Lula, com uma contribuição de R$ 500 mil — o mesmo valor registrado como doação à campanha de Flávio Bolsonaro.
Limite de quase R$ 89 milhões
O teto eleitoral não considera apenas pagamentos já realizados. Segundo o TSE, entram no cálculo as despesas contratadas pela candidatura, transferências financeiras feitas a partidos e outros candidatos e doações estimáveis em dinheiro, entre outros valores.
Quem ultrapassar o limite está sujeito a multa equivalente a 100% do valor excedente. Dependendo das circunstâncias, o excesso também pode ser investigado como abuso de poder econômico.
As informações declaradas pelas campanhas podem ser consultadas publicamente no sistema DivulgaCandContas, do TSE.