Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, foi afastado
(Imagem: Joédson Alves / Agência Brasil)
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida também atinge o diretor de Inteligência Policial da corporação, delegado Leandro Almada da Costa, e ocorre em meio à escalada da crise envolvendo integrantes do Supremo e as investigações relacionadas ao Banco Master.
A decisão ainda será submetida à Segunda Turma do STF. Mendonça convocou uma sessão virtual extraordinária, prevista para ocorrer entre as 10h e as 23h59 desta terça (8), para que os demais ministros do colegiado decidam se mantêm ou derrubam as medidas. A Segunda Turma é formada por Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques.
Ao determinar os afastamentos, Mendonça afirmou que as medidas são necessárias para preservar o exercício das atribuições dos ministros do STF, da Advocacia-Geral da União (AGU) e dos próprios servidores da Polícia Federal sem o que classificou como constrangimentos ilegais.
Um dos pontos centrais da decisão é a produção, pela PF, de relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça. Documentos da corporação foram utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para apontar possíveis irregularidades na atuação do colega na condução de investigações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“A par de existirem outras questões em torno das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do Senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas. Por isso, ante a urgência e extrema gravidade que a situação apresenta, essa decisão se centrará no exame deste fato específico”, escreveu Mendonça.
Mendonça sustenta que foi alvo de monitoramento irregular pela inteligência da Polícia Federal por mais de 30 dias.
Além dos afastamentos, Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos nas esferas penal e administrativo-disciplinar para investigar a produção dos documentos. Também suspendeu a elaboração e o compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados por integrantes do Judiciário, da Advocacia Pública e da polícia judiciária.
Crise no STF
O episódio é mais um capítulo da crise desencadeada pelas investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas no celular do banqueiro colocaram sob escrutínio contatos dele com autoridades e levaram a uma série de decisões e questionamentos dentro do próprio Supremo.
O nome de Andrei Rodrigues aparece em mensagens de Vorcaro. Em uma delas, enviada em novembro de 2025, o banqueiro menciona “Paulo e Andrei” ao discutir a possibilidade de reverter medidas relacionadas às investigações. A identificação de “Andrei” como o diretor-geral da PF integra o material sob investigação, mas a referência, por si só, não comprova atuação irregular de Rodrigues.
A tensão aumentou na semana passada. Na quarta-feira (3), o presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento específico e deu prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestassem informações sobre diferentes aspectos do conflito. Entre os pontos estão a atuação da PF em investigações envolvendo autoridades com foro no Supremo e as circunstâncias da produção e utilização dos documentos de inteligência.
O afastamento de Andrei já havia sido solicitado pelo Partido Novo, que também apresentou pedido de prisão preventiva contra o diretor-geral da PF. As solicitações foram fundamentadas, entre outros elementos, nas mensagens apreendidas no celular de Vorcaro. O pedido de prisão não significa que Rodrigues tenha sido denunciado ou condenado pelos fatos citados.
Andrei Rodrigues ocupa a direção-geral da Polícia Federal desde janeiro de 2023. A decisão de Mendonça desta terça tem caráter preventivo e seu futuro imediato dependerá da análise da Segunda Turma do Supremo.