Lula quer intensificar o contato direto com os eleitores
(Imagem: Ricardo Stuckert / Fotos públicas)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cobrado maior presença de aliados e militantes nas ruas nesta fase inicial da campanha à reeleição. A orientação é intensificar o contato direto com os eleitores e defender resultados do governo, em um momento de maior pressão política provocada pelas investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Segundo relatos de integrantes da campanha, Lula tem defendido uma disputa de votos nos bairros e orientado aliados a levar dados da administração federal para o contato com a população. A economia é uma das principais preocupações: o presidente considera que os resultados de sua gestão na área precisam ser mais bem comunicados e tem pedido que a militância confronte críticas de adversários durante a campanha.
A estratégia ocorre enquanto as últimas revelações sobre Lulinha provocam apreensão entre integrantes do PT e da campanha presidencial. O empresário é investigado em três inquéritos da Polícia Federal que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça e outro, do ministro Flávio Dino. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Lulinha nega irregularidades.
Na quinta-feira (20), Mendonça determinou que a Polícia Federal ampliasse uma investigação já existente para apurar novos vazamentos de informações sigilosas relacionadas aos inquéritos. A decisão atendeu a um pedido da defesa de Lulinha e concentra a apuração em pessoas que tinham acesso aos dados e dever legal de preservar o sigilo, sem autorizar investigação de jornalistas pela publicação das informações.
O ambiente levou aliados do presidente a discutir como a campanha deve reagir ao caso. Uma ala defende uma resposta mais direta às acusações, enquanto outra considera que insistir no assunto pode ampliar o desgaste e prefere concentrar o discurso nos resultados do governo e nas propostas para um eventual novo mandato.
Apesar da preocupação interna, os levantamentos eleitorais mais recentes ainda colocam Lula na liderança do primeiro turno. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) mostrou o presidente com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 47% e Flávio, com 43%. O levantamento ouviu 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro levantamento, divulgado nesta segunda-feira (24) pelo instituto Nexus e encomendado pelo BTG Pactual, aponta uma disputa ainda mais apertada. No cenário de segundo turno, Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 45%, configurando empate técnico. No primeiro turno sem Pablo Marçal (PRTB), o petista aparece com 41%, contra 37% do senador. A pesquisa ouviu 2.006 pessoas entre sexta-feira (21) e domingo (23), com margem de erro de dois pontos percentuais.
A campanha presidencial começou oficialmente em 16 de agosto. Lula abriu a disputa com um ato em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde iniciou sua trajetória sindical e política. Desde então, também passou por Minas Gerais, Estado considerado estratégico pelas campanhas presidenciais.
A corrida eleitoral entra em uma nova etapa nesta semana. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa na sexta-feira (28), ampliando a exposição dos candidatos pouco mais de um mês antes do primeiro turno. As eleições serão realizadas em 4 de outubro; caso seja necessário segundo turno para presidente e governadores, a votação ocorrerá em 25 de outubro.