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Promessa nacional

Jovem de Santana de Parnaíba chega à seleção brasileira de patinação

20 ago 2026 - 15h05 Aliz Lambiazzi   atualizado às 15h09
Jovem de Santana de Parnaíba chega à seleção brasileira de patinação A notícia da convocação chegou justamente onde boa parte dessa história foi construída (Imagem: Divulgação)

Aos 14 anos, Nina Makários de Cambraia Salles já realizou um dos grandes sonhos de quem constrói uma carreira no esporte: vestir as cores do Brasil. Moradora de Santana de Parnaíba e aluna do Colégio Tom Jobim, a jovem foi convocada para a Seleção Brasileira de Patinação Artística e representou o país no Campeonato Sul-Americano, realizado neste mês em Amparo, no interior de São Paulo.

A notícia da convocação chegou justamente onde boa parte dessa história foi construída. O e-mail foi recebido por Tatiana Abrahão, proprietária da Startati Patinação Artística, escola onde Nina começou no esporte e da qual foi a primeira aluna. As duas estavam juntas no momento.

“Chegou um e-mail para a Tati, estávamos juntas na hora. Fiquei feliz demais, abracei muito a Tati e minhas amigas de equipe que estavam ao meu lado”, revela a adolescente.

A comemoração coroava uma trajetória iniciada oito anos antes. Nina tinha apenas 6 anos quando começou a patinar e pouco tempo depois já percebeu que aquilo poderia ser mais do que uma atividade. “Comecei a patinar quando tinha 6 anos, em 2018. Em 2020 a equipe de competição foi criada e naquele momento já soube que queria levar isso a sério”, conta.

De lá para cá vieram treinos, campeonatos e 28 medalhas. Em 2025, Nina foi campeã brasileira no free dance e também subiu ao pódio em outras disputas. No Campeonato Paulista, conquistou o primeiro lugar no solo dance avançado e foi vice-campeã no free dance. Já no Troféu Brasil, terminou com dois segundos lugares, no solo dance pré-internacional e no free dance.

Neste ano, a atleta avançou para a categoria cadete e disputou, em março, o Campeonato Brasileiro de Patinação Artística, realizado em Amparo, no interior paulista. No ranking nacional da Confederação Skate Brasil (CSB), publicado em abril, Nina aparecia na 11ª posição no livre individual feminino, com 58,62 pontos.

Foi justamente no livre que veio a convocação para representar o país e é nessa modalidade que Nina diz se encontrar sobre os patins. “Eu fui convocada para livre, e é o que eu mais amo, me sinto muito bem e é a categoria na qual consigo melhor me expressar”, diz.

Para ela, aliás, expressão e patinação estão intimamente ligadas. Mais do que competir e buscar resultados, o esporte se tornou também uma maneira de colocar para fora aquilo que nem sempre consegue dizer.

“Eu acho a patinação artística o esporte mais bonito, sempre fui muito apaixonada por ele. Quando não consigo me expressar com palavras, é só patinar pra me sentir mais leve”, confidencia.

Entre suas referências estão duas atletas que já chegaram ao cenário internacional: a portuguesa Madalena Costa e a brasileira Isabella Latorre. Madalena é campeã mundial e europeia sênior no livre e, em junho deste ano, conquistou também o ouro na final da Copa do Mundo de Patinação Artística, disputada em Cesena, na Itália. Isabella, por sua vez, ocupa a liderança do ranking brasileiro sênior de figuras obrigatórias e foi convocada para representar o Brasil nos Jogos Sul-Americanos Odesur.

Da primeira aluna à Seleção Brasileira

A história de Nina se mistura à da própria Startati. Ela foi a primeira aluna da escola de patinação e cresceu no esporte junto com a equipe que acompanhou seus primeiros passos sobre rodas. Ao celebrar a convocação, a Startati lembrou justamente dessa trajetória.

“A gente viu de perto cada tentativa, cada treino, cada desafio e, principalmente, a vontade que ela sempre teve de ir além. A Nina sempre lutou, se dedicou e correu atrás de cada oportunidade para conquistar seu espaço e subir nos pódios”, declarou a escola de patinação em uma postagem no Instagram.

Para a escola, a chegada da atleta à Seleção Brasileira também representa um marco na própria história. “A primeira aluna que passou por nossas portas agora está levando o nome do Brasil para as pistas. E não existe orgulho maior do que acompanhar alguém crescer, lutar pelos seus sonhos e conquistar aquilo que um dia parecia tão distante”, comemora.

Nina também reconhece o papel dessa rede de apoio na trajetória. “Minha família sempre me deu todo o apoio possível, eu sou muito grata por isso. Tenho amigos que torcem muito por mim. A escola, que sempre entendeu minhas faltas por causa dos campeonatos. E uma escola de patinação que sempre busca trazer os melhores técnicos para nos treinar”, afirma.

A jovem estuda pela manhã e treina no fim da tarde, o que ajuda a conciliar a rotina escolar com o esporte. Mas, para chegar à Seleção Brasileira, ela acredita que houve um ingrediente ainda mais importante do que organização: “acho que muitas coisas foram importantes para chegar até aqui, mas o mais importante é a persistência e foco. Mesmo quando não estiver bem ou com vontade, saber que preciso treinar e dar o meu melhor no treino”.

Essa persistência já havia sido colocada à prova antes. Entre as competições que disputou, Nina guarda uma lembrança especial do Campeonato Brasileiro de 2024. Ela vinha de resultados que considerava ruins e decidiu entrar na pista com uma expectativa diferente: em vez de pensar apenas na colocação, queria terminar a apresentação feliz.

“Em todos os campeonatos anteriores eu tinha ido muito mal e nesse eu entrei leve, só com a intenção de sair feliz da pista. E eu saí muito feliz, chorando de alegria, e quando fui abraçar minha técnica ela também estava”, detalha a jovem.

Agora, já como integrante da Seleção Brasileira, Nina está enfrentando um novo momento difícil, desta vez por causa de uma lesão.

Queda interrompe participação no Sul-Americano

A experiência de Nina no Campeonato Sul-Americano de Patinação Artística, realizado em Amparo e que segue até domingo (23), não terminou como ela imaginava. Durante sua apresentação, ela sofreu uma queda ainda no começo da coreografia. Chegou a se levantar e tentou continuar, mas a dor a obrigou a deixar a disputa.

“Meu tornozelo está com uma fratura no maléolo lateral. Estou imobilizada e terei que ficar um tempinho sem patinar, até me recuperar. Fiquei muito triste com isso, claro, mas logo estarei de volta, vai ficar tudo bem”, diz.

A lesão mudou o restante da temporada. Nina não participará do Campeonato Paulista e, por enquanto, os patins terão de dar lugar à recuperação. A previsão é que ela volte a competir em março de 2027. “Terei tempo pra me recuperar e me preparar para a temporada de 2027”, diz a jovem, sem desanimar.

A pausa forçada chega justamente depois de uma das maiores conquistas de sua trajetória. Mas, se a primeira convocação para a Seleção Brasileira já saiu da lista de sonhos, Nina não demorou a escolher o próximo: “ser convocada para mais campeonatos internacionais”.

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