Estação de Tratamento de Água do Alto da Boa Vista, do Sistema Guarapiranga
(Imagem: Daniel Guimarães / A2img / Governo de SP)
São Paulo consolidou sua posição como referência nacional em eficiência hídrica ao colocar sete municípios entre as 12 cidades brasileiras que apresentam os menores índices de desperdício de água. Os dados fazem parte do estudo Perdas de Água 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com base em informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) referentes ao ano de 2024.
O levantamento avaliou os 99 municípios mais populosos do país e utilizou como parâmetro os critérios estabelecidos pela Portaria nº 788/2024 do Ministério das Cidades. A norma define limites máximos de perdas que deverão ser cumpridos pelos municípios para que possam acessar financiamentos federais destinados aos sistemas de abastecimento de água a partir de 2033.
Para alcançar o padrão de excelência, as cidades precisam atender simultaneamente a dois indicadores. O primeiro mede as perdas na distribuição, ou seja, a parcela de água tratada que se perde antes de chegar aos consumidores, cujo limite é de até 25%. O segundo avalia as perdas por ligação ativa, com teto de 216 litros desperdiçados por dia para cada conexão de abastecimento.
Entre as cidades que atenderam aos dois critérios, sete são paulistas: Suzano, Santos, São José do Rio Preto, Limeira, Campinas, Taubaté e Franca. A liderança nacional ficou com Suzano, que registrou apenas 1,27% de perdas na distribuição. Também figuram na lista Goiânia (GO), Teresina (PI), Campo Grande (MS), Petrópolis (RJ) e Maringá (PR).
Das sete cidades paulistas em detaque, quatro são atendidas pela Sabesp: Suzano, Santos, Taubaté e Franca.
O estudo mostra ainda que o desempenho paulista é ainda mais expressivo quando os indicadores são analisados separadamente. Nesse cenário, dez municípios do Estado aparecem em pelo menos uma das listas de excelência: Suzano, Santos, São José do Rio Preto, Limeira, Campinas, São Bernardo do Campo, Taubaté, Franca, São Paulo e Itaquaquecetuba.
No recorte estadual, São Paulo registrou índice de perdas na distribuição de 32,15% em 2024, resultado inferior à média nacional de 39,53%. O Estado também apresentou desperdício médio de 280 litros por ligação ao dia, abaixo da média brasileira, que alcançou 349 litros. Os números colocam São Paulo entre os melhores desempenhos do país nesse quesito.
Programa de redução de perdas
Parte dos resultados é atribuída aos investimentos realizados nos sistemas de abastecimento. A Sabesp anunciou a aplicação de quase R$ 9 bilhões até 2029 em programas de redução de perdas, renovação de redes, digitalização dos serviços e incorporação de novas tecnologias.
Entre as iniciativas em andamento está a implantação do que a companhia classifica como o maior projeto de hidrômetros inteligentes do mundo. O programa prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões e permite identificar vazamentos não aparentes em tempo real, além de enviar alertas de consumo fora do padrão aos usuários por aplicativo, e-mail ou mensagens.
Outra frente de atuação é o controle da pressão nas redes de distribuição. Segundo dados divulgados pela companhia, entre outubro de 2025 e março de 2026 foram economizados 151 bilhões de litros de água na Grande São Paulo por meio da redução da pressão durante o período noturno. O volume seria suficiente para abastecer toda a região metropolitana por aproximadamente um mês. Nesse mesmo período, foram realizadas mais de 60 mil ações preventivas e inspeções em mais de 17 mil quilômetros de redes de abastecimento.