desastre arrastou casas, estradas, pontes e instalações de energia
(Imagem: Reprodução)
Ao menos 98 pessoas morreram e 749 estão desaparecidas após forte enchente atingir nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O desastre arrastou casas, estradas e pontes, afetou o fornecimento de energia e mobilizou operações de resgate dos dois lados da fronteira.
No Nepal, 95 pessoas morreram e 484 permanecem desaparecidas, segundo balanço divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro do país. Entre os desaparecidos estão 391 estrangeiros e 93 nepaleses. Os números são preliminares e podem mudar à medida que avançam as buscas.
No lado chinês, ao menos três pessoas morreram e 265 estão desaparecidas no condado de Gyirong, no Tibete. O balanço preliminar foi divulgado pela emissora estatal CCTV, que informou que o número exato de vítimas ainda está sendo verificado.
Somados os balanços divulgados separadamente pelas autoridades dos dois países, o desastre deixou até o momento ao menos 98 mortos e 749 desaparecidos.
Vilarejos e estradas foram arrastados
A enchente atingiu com força o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, e o condado de Gyirong, no Tibete. As duas regiões ficam em lados opostos da fronteira entre Nepal e China, onde passa uma importante ligação terrestre entre os países.
Uma grande quantidade de água, lama e rochas avançou pela região e destruiu construções e veículos. No Nepal, casas, mercados, estradas, pontes e projetos de geração de energia foram atingidos. O rio Bhotekoshi transbordou por volta das 9h, no horário local, segundo autoridades nepalesas.
No Tibete, o desastre atingiu Gyirong, importante passagem terrestre na fronteira. Estradas, sistemas de comunicação e fornecimento de energia foram interrompidos. O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a intensificação das buscas e do atendimento às vítimas.
As operações de resgate enfrentam dificuldades devido à destruição de estradas, ao grande volume de lama e às condições meteorológicas. No Nepal, o Exército e outras forças de segurança intensificaram as buscas nas áreas atingidas e utilizam helicópteros para chegar a pontos isolados.
Causa ainda é investigada
A causa exata do desastre ainda está sendo investigada. Uma avaliação preliminar aponta que uma avalanche de gelo e rochas pode ter bloqueado o rio Lhende Khola, provocando o acúmulo de água e, posteriormente, uma forte correnteza rio abaixo.
Um terremoto de magnitude 4,4 também foi registrado na região pouco antes da enchente. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, afirmou ao Parlamento que uma das hipóteses investigadas é que o tremor tenha provocado um deslizamento que bloqueou o rio. A relação entre os dois eventos, porém, ainda não foi confirmada.
Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod), com sede em Catmandu, também apontam preliminarmente para uma avalanche de gelo e rochas no Lhende Khola. O Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal informou que não houve chuva intensa na região antes do desastre, o que reforça a investigação de uma liberação repentina de grande quantidade de água.
As autoridades também mantêm o alerta para o risco de uma nova inundação. Especialistas identificaram um bloqueio rio acima na região da fronteira, que pode liberar outra grande quantidade de água. Moradores próximos aos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani foram orientados a se afastar das margens.
O desastre afetou ainda o sistema elétrico do Nepal. Segundo a Autoridade de Eletricidade do país, cerca de 430 megawatts de capacidade de geração foram atingidos, incluindo instalações hidrelétricas e solares.
Os efeitos provocaram preocupação também na Índia. Autoridades do Estado de Bihar reforçaram o monitoramento diante da possibilidade de uma elevação repentina do nível dos rios que descem do Nepal. Distritos próximos ao sistema do rio Gandak foram colocados em alerta.
ATUALIZADA EM 26/08/2026 ÀS 13H07