desastre arrastou casas, estradas, pontes e instalações de energia
(Imagem: Reprodução)
Ao menos 95 pessoas morreram e mais de 400 estão desaparecidas após uma forte enchente atingir o Nepal nesta quarta-feira (26), principalmente na região montanhosa próxima à fronteira com o Tibete, na China. O desastre arrastou casas, estradas, pontes e instalações de energia, enquanto equipes de resgate ainda tentam chegar às áreas mais afetadas.
O balanço de mortos foi confirmado pela polícia nepalesa e subiu rapidamente ao longo do dia à medida que novos corpos foram encontrados. O Conselho de Turismo do Nepal informou que 403 pessoas estão desaparecidas, sendo 341 estrangeiros e 62 nepaleses.
Entre os estrangeiros desaparecidos há cidadãos de 26 países. Os maiores grupos são de indianos (133), norte-americanos (47), australianos (34) e britânicos (33).
Além dos turistas, integrantes das forças de segurança estão entre os desaparecidos. A polícia nepalesa informou que agentes que trabalhavam em unidades nas regiões de Timure, Syafrubesi, Simle e Mailung perderam contato após a enchente.
Vilarejos e estradas foram arrastados
A enchente atingiu com força o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde ficam localidades como Timure e Syafrubesi. A região faz fronteira com o Tibete e abriga uma das principais ligações terrestres entre Nepal e China.
Uma enorme quantidade de água, lama e rochas avançou pela região e destruiu construções e veículos. Imagens mostram pessoas tentando fugir antes de a correnteza atingir a área. Casas, estradas e projetos de geração de energia foram arrastados.
No lado chinês, um deslizamento atingiu o porto terrestre de Gyirong, na região do Tibete. Estradas, sistemas de comunicação e fornecimento de energia foram interrompidos. Autoridades chinesas mobilizaram 601 profissionais e 113 veículos para as operações de emergência.
As operações de resgate também enfrentam dificuldades. O nível dos rios impediu que helicópteros pousassem em algumas das áreas atingidas no Nepal, enquanto danos em estradas e pontes dificultam o acesso por terra.
Causa ainda é investigada
As autoridades ainda não confirmaram o que provocou a enchente. Relatos iniciais indicam que um terremoto de magnitude 4,4 registrado na região pode ter provocado uma avalanche, que teria lançado grande quantidade de gelo e rochas no rio e desencadeado a inundação.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, informou ao Parlamento que essa é uma das hipóteses investigadas. O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) registrou o tremor cerca de sete minutos antes do horário indicado em imagens de câmeras de segurança que mostram o início do desastre.
Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod), com sede em Catmandu, avaliam que uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola pode ter desencadeado a enchente, mas ressaltam que a causa ainda não está confirmada.
Há ainda preocupação com uma nova inundação. Um bloqueio permanece no rio na região da fronteira entre Nepal e China e, caso se rompa, pode liberar outra grande quantidade de água. Moradores próximos ao rio Bhote Koshi foram orientados a deixar as margens e procurar áreas mais altas.
O desastre também afetou a produção de energia do Nepal. Cerca de 430 megawatts de geração elétrica foram afetados, principalmente em usinas hidrelétricas, volume equivalente a mais de 12% da capacidade hidrelétrica instalada do país.
Alertas de enchentes também foram emitidos para áreas dos Estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, já que rios que descem do Himalaia atravessam o Nepal e seguem em direção ao território indiano.