Brasil restabelece diálogo com EUA sobre tarifaço
(Imagem: Foto Lula: Ricardo Stuckert / Foto Trump: Divulgação White House)
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão se reunir virtualmente na próxima segunda-feira (31), às 14h30, para retomar as negociações sobre o tarifaço. O encontro foi acertado após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na última sexta-feira (21).
Representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) também devem participar das negociações.
A reunião marca a retomada do diálogo comercial entre os dois países após o anúncio, em julho, de uma tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Posteriormente, Washington impôs uma nova sobretaxa de 12,5% a determinados produtos, levando a cobrança adicional a 37,5% em alguns casos.
Embora o governo brasileiro não esteja muito otimista com o avanço das negociações, a expectativa para esta primeira reunião é ampliar a lista de produtos que ficam fora das sobretaxas. Em uma etapa posterior, o Brasil pretende discutir a reversão das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Conversa entre Lula e Trump durou 1h20
A retomada das negociações foi encaminhada na sexta-feira (21), durante um telefonema de 1h20 entre Lula e Trump. Os dois presidentes discutiram as tarifas e concordaram com a necessidade de restabelecer o diálogo entre as equipes dos dois países.
Após a conversa, Greer entrou em contato com o MDIC para propor uma reunião. Em nota oficial divulgada ainda na sexta-feira, o Ministério informou que a sinalização dos dois presidentes abria um novo canal de diálogo e criava perspectiva para uma solução negociada. Na ocasião, o governo brasileiro informou que a data seria definida posteriormente pelas equipes.
A confirmação do encontro para segunda-feira ocorre quatro dias depois do telefonema presidencial e representa um avanço em relação às tentativas anteriores de negociação. Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, já haviam ocorrido mais de 30 contatos com autoridades americanas em diferentes níveis desde o início da disputa comercial, sem um entendimento sobre as tarifas.
Tarifas pressionam relação entre os países
A nova rodada de negociações ocorre em meio a meses de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Além da tarifa adicional de 25%, o governo Trump adotou posteriormente uma sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre importações de produtos supostamente associados a trabalho forçado. O Brasil contesta as justificativas apresentadas por Washington.
Parte das exportações brasileiras ficou fora das cobranças adicionais, mas setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuam entre os atingidos. O governo brasileiro também iniciou procedimentos internos com base na Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao país adotar contramedidas comerciais em resposta a ações de outros governos.
Apesar da disputa, o Planalto tem defendido uma saída negociada. Na nota divulgada após a ligação entre os presidentes, o MDIC afirmou que a retomada das conversas reforça a possibilidade de uma solução por meio do diálogo.