O primeiro terremoto registrou magnitude 7,2 e foi seguido quase imediatamente por um segundo tremor ainda mais forte, de magnitude 7,5
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A Venezuela vive uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes após os dois fortes terremotos que atingiram o país na tarde e noite de quarta-feira (24). Segundo o balanço mais recente divulgado pela presidente Delcy Rodríguez nesta quinta-feira (25), ao menos 164 pessoas morreram, cerca de mil ficaram feridas e milhares permanecem desaparecidas ou presas sob os escombros de edifícios e residências destruídos pelos tremores.
As autoridades venezuelanas admitem que o número de vítimas deve crescer nas próximas horas à medida que equipes de resgate conseguem acessar áreas isoladas e estruturas colapsadas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou o desastre como potencialmente catastrófico e estima que o total de mortos pode ultrapassar 10 mil pessoas, com cenários mais pessimistas apontando até dezenas de milhares de vítimas fatais.
Os abalos sísmicos ocorreram com apenas 39 segundos de diferença. O primeiro terremoto registrou magnitude 7,2 e foi seguido quase imediatamente por um segundo tremor ainda mais forte, de magnitude 7,5. Ambos tiveram epicentro na região de Morón e Montalbán, no Estado de Carabobo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas, e ocorreram a baixa profundidade, fator que contribuiu para ampliar o poder destrutivo dos fenômenos.
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La Guaira se transforma no epicentro da tragédia
Entre as áreas mais afetadas está o Estado de La Guaira, na região costeira próxima à capital venezuelana. Segundo Delcy Rodríguez, dezenas de edifícios desabaram completamente. A presidente classificou a situação como uma “verdadeira tragédia” e informou que os esforços do governo estão concentrados na busca por sobreviventes e no atendimento aos feridos.
Além de La Guaira, cidades dos Estados de Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón também registraram danos severos. Em Caracas, moradores relataram cenas de pânico durante os tremores. Prédios residenciais, hospitais, estabelecimentos comerciais e estruturas públicas sofreram danos, enquanto parte dos sistemas de transporte e comunicação foi interrompida.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal porta de entrada aérea do país, teve operações suspensas após sofrer danos estruturais. Também foram registrados problemas no fornecimento de energia elétrica, redes de telefonia e sistemas de transporte urbano.
Réplicas aumentam temor da população
Após os dois terremotos principais, a Venezuela registrou mais de 20 réplicas sísmicas, algumas delas perceptíveis pela população. O temor de novos desabamentos levou milhares de pessoas a passarem a noite em praças, estacionamentos e áreas abertas.
Especialistas explicam que a sequência de tremores aumenta significativamente o risco para equipes de resgate e para moradores que ainda tentam recuperar pertences em edificações danificadas.
A Venezuela está situada em uma zona de interação entre placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, região conhecida por sua atividade sísmica. Os terremotos desta semana já são apontados como os mais destrutivos registrados no país em mais de um século e os mais fortes desde o histórico sismo de 1900.
Tremores foram sentidos em quatro Estados brasileiros
Apesar do epicentro estar localizado na Venezuela, os efeitos dos terremotos foram percebidos em parte da Região Norte do Brasil. Moradores relataram tremores em cidades dos Estados de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá, incluindo as capitais Boa Vista, Manaus, Belém e Macapá.
Segundo especialistas da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), a elevada magnitude dos abalos permitiu que as ondas sísmicas se propagassem por centenas de quilômetros. Em alguns municípios amazonenses, moradores deixaram prédios e residências após sentirem vibrações e oscilações em móveis e estruturas. Entretanto, não houve registro de vítimas ou danos relevantes em território brasileiro.
O sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, explicou que terremotos dessa intensidade podem ser percebidos a grandes distâncias quando ocorrem em profundidades relativamente rasas. Segundo ele, a posição geográfica do Brasil, no interior da Placa Sul-Americana, reduz significativamente o risco de danos graves decorrentes de eventos sísmicos ocorridos em países vizinhos.
Governo anuncia fundo emergencial para reconstrução
Diante da dimensão dos danos, o governo venezuelano decretou estado de emergência nacional e anunciou a criação de um fundo de US$ 200 milhões para reconstrução de infraestrutura, hospitais, escolas e moradias atingidas. Os recursos serão provenientes do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A medida busca garantir uma resposta rápida às necessidades mais urgentes da população, embora especialistas avaliem que os custos totais da reconstrução possam alcançar cifras muito superiores, especialmente caso se confirmem os cenários mais graves projetados pelo USGS.
Comunidade internacional mobiliza ajuda
A tragédia provocou uma rápida reação internacional. Diversos países anunciaram o envio de equipes de busca e salvamento, profissionais de saúde, medicamentos e suprimentos emergenciais. Entre as nações que manifestaram apoio estão Brasil, México, Estados Unidos, China e Catar.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que suas agências humanitárias estão mobilizadas para apoiar os trabalhos de resposta à emergência. A missão de direitos humanos da entidade também pediu ao governo venezuelano que suspenda temporariamente restrições ao acesso às redes sociais e plataformas digitais para facilitar a comunicação entre familiares, equipes de socorro e organismos internacionais.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade ao povo venezuelano e informou ter orientado o Ministério das Relações Exteriores a avaliar medidas de assistência humanitária ao país vizinho.
Corrida contra o tempo
Com milhares de pessoas potencialmente desaparecidas, o foco das próximas horas permanece nas operações de busca e salvamento. Equipes trabalham entre montanhas de concreto e aço retorcido tentando localizar sobreviventes antes que o tempo reduza drasticamente as chances de resgate.
Enquanto isso, a população enfrenta a escassez de energia, dificuldades de comunicação e o medo constante de novas réplicas. O cenário transformou a tragédia em um dos maiores desastres naturais da história recente da América do Sul e colocou a Venezuela diante de um gigantesco desafio humanitário e de reconstrução.