Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Narurais
(Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil)
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o estabelecimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial e alertou que o episódio de 2026 poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início da série histórica, em 1950.
Segundo os modelos climáticos utilizados pelo órgão, existe 63% de probabilidade de o aquecimento atingir níveis considerados muito fortes entre o fim de 2026 e o início de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O padrão é oficialmente reconhecido quando a temperatura média da superfície do mar permanece pelo menos 0,5°C acima da média histórica por um período prolongado, provocando alterações nos ventos e nos regimes de chuva em diferentes partes do planeta.
Segundo a NOAA, a temperatura média das águas do Pacífico já alcançou 0,7°C acima do normal. O patamar retirou o oceano da condição neutra observada durante grande parte da primavera no Hemisfério Norte e marcou oficialmente o início do fenômeno.
Embora a expressão "Super El Niño" seja amplamente utilizada pela imprensa e por especialistas para descrever episódios excepcionalmente intensos, ela não constitui uma classificação oficial. Ainda assim, os indicadores atuais apontam para um evento comparável aos grandes episódios de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, que provocaram impactos significativos em diversas regiões do planeta.
Segundo a NOAA, este poderá ser um dos maiores eventos das últimas décadas, com potencial para elevar ainda mais as temperaturas globais e influenciar diretamente o comportamento das chuvas, das secas e da ocorrência de fenômenos extremos. Cientistas avaliam que os efeitos do El Niño de 2026 poderão se estender ao longo de 2027.
Impactos esperados no Brasil
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Historicamente, episódios de El Niño favorecem chuvas acima da média no Sul do país, aumentando o risco de enchentes e temporais, enquanto Norte e Nordeste tendem a registrar redução das precipitações e maior propensão a períodos de seca. O Sudeste e o Centro-Oeste, por sua vez, podem enfrentar ondas de calor mais frequentes e umidade reduzida.
Especialistas também alertam para o aumento do risco de queimadas em áreas da Amazônia e do Pantanal, consequência da combinação entre temperaturas mais elevadas e menor disponibilidade de umidade.
Efeitos globais
Em escala mundial, o fenômeno pode provocar secas severas em partes da Oceania, do sul da África e da Ásia, além de chuvas mais intensas em regiões das Américas e do Chifre da África. O El Niño também costuma reduzir a atividade de furacões no Atlântico e aumentar a ocorrência desses sistemas no Pacífico.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e diversos centros internacionais de previsão climática vêm acompanhando a evolução do fenômeno e reforçando a necessidade de preparação por parte dos governos. A preocupação é que a combinação entre um El Niño muito forte e o aquecimento global amplifique os impactos econômicos, sociais e ambientais dos eventos extremos.
Apesar da confirmação do fenômeno, especialistas ressaltam que ainda existem incertezas sobre sua intensidade máxima e sobre a distribuição dos impactos em cada região. Novas atualizações dos modelos climáticos deverão ser divulgadas ao longo dos próximos meses, à medida que o aquecimento do Pacífico evoluir.