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Novo julgamento sobre a morte de Maradona começa na Argentina

15 abr 2026 - 11h05 Aliz Lambiazzi   atualizado às 12h55
Novo julgamento sobre a morte de Maradona começa na Argentina O processo recomeça praticamente do zero após a anulação do julgamento anterior (Imagem: Divulgação/ Site FIFA)

Teve início na terça-feira (14), em San Isidro, na província de Buenos Aires, o novo julgamento que busca esclarecer as circunstâncias da morte de Diego Maradona, ídolo máximo do futebol argentino. Sete profissionais de saúde que integravam a equipe responsável por seu acompanhamento são acusados de homicídio por negligência — crime que pode resultar em penas de até 25 anos de prisão.

O processo recomeça praticamente do zero após a anulação do julgamento anterior, ocorrida há cerca de um ano, em razão de irregularidades envolvendo uma das juízas do caso, Julieta Makintach, flagrada em um vídeo violando regras judiciais. A nova etapa judicial deve ouvir aproximadamente 100 testemunhas e promete se estender por meses.

Acusações envolvem equipe médica próxima ao ex-jogador

Entre os réus estão nomes centrais no acompanhamento clínico de Maradona, como o neurocirurgião Leopoldo Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov, além do psicólogo Carlos Ángel Díaz, da médica Nancy Edith Forlini, do médico Pedro Pablo Di Spagna e dos enfermeiros Ricardo Almirón e Mariano Ariel Perroni. Há ainda um oitavo réu, a enfermeira Dahiana Madrid, julgada por um júri separado, ainda sem data definida.

De acordo com a acusação, a equipe teria falhado em garantir cuidados adequados durante a internação domiciliar do ex-jogador, após uma cirurgia cerebral para retirada de um coágulo. Promotores sustentam que houve negligência grave e abandono, apontando que Maradona teria permanecido horas sem assistência médica apropriada antes de morrer.

A defesa, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que a morte foi consequência de problemas de saúde preexistentes, agravados por um histórico clínico complexo.

Morte em 2020 ainda gera repercussão mundial

Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma parada cardíaca, enquanto se recuperava em casa após cirurgia no cérebro. Considerado um dos maiores jogadores de futebol da história, ele foi o principal nome da conquista da Copa do Mundo de 1986 pela Argentina e permanece como símbolo cultural no país.

Investigações médicas realizadas após sua morte apontaram que o atendimento recebido foi “inadequado, deficiente e imprudente”, reforçando a linha de acusação que sustenta o atual processo judicial.

Novo julgamento busca respostas definitivas

O novo julgamento ocorre sob forte expectativa pública e pressão da família do ex-jogador, que busca responsabilização pelos últimos dias de vida do ídolo. Advogados dos familiares afirmam que há elementos suficientes para condenação e defendem celeridade no andamento do processo.

As audiências devem ocorrer duas vezes por semana, com depoimentos de familiares, profissionais de saúde e pessoas próximas ao ex-atleta. A previsão é que o veredito seja conhecido nos próximos meses, encerrando um dos casos judiciais mais emblemáticos do esporte mundial recente.

O desfecho do julgamento pode não apenas definir responsabilidades criminais, mas também estabelecer precedentes relevantes sobre a atuação médica em casos de alta complexidade, especialmente em situações de internação domiciliar, tema que ganhou ainda mais visibilidade após a morte de uma das maiores lendas do futebol mundial.

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