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Economia

Semana começa com a maior queda do dólar em dois anos

14 abr 2026 - 12h45 Aliz Lambiazzi   atualizado às 15h50
Semana começa com a maior queda do dólar em dois anos A queda da moeda norte-americana ocorre em meio a um cenário externo mais favorável (Imagem: Freepik)

O dólar voltou a surpreender o mercado financeiro brasileiro e encerrou o pregão abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, em um movimento que reforça o bom momento dos ativos nacionais em 2026. A queda da moeda norte-americana ocorre em meio a um cenário externo mais favorável e à forte entrada de recursos estrangeiros no país.

No fechamento mais recente, na segunda-feira (20), o dólar comercial à vista foi cotado a R$ 4,997 (uma baixa de -0,29%), registrando leve recuo no dia e atingindo o menor valor desde 27 de março de 2024. Por volta das 14h20, chegou a R$ 4,98. No acumulado do mês, a queda já chega a de 3,51%, enquanto, no ano, a desvalorização se aproxima de 9%. 

No mesmo cenário de valorização dos ativos brasileiros, o euro comercial encerrou a segunda-feira cotado a R$ 5,876, com leve recuo de 0,02%, atingindo o menor nível desde o fim de junho de 2024. 

Cenário externo favorece moedas emergentes
O principal fator por trás da queda do dólar está fora do Brasil. A sinalização de uma possível reaproximação diplomática envolvendo os Estados Unidos e o Irã ajudou a reduzir tensões no Oriente Médio, diminuindo a aversão ao risco global.

Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre negociações com o governo iraniano contribuíram para acalmar os mercados. Com isso, investidores passaram a buscar ativos considerados mais rentáveis, como moedas e bolsas de países emergentes, caso do Brasil. 

Esse movimento também foi acompanhado pela queda do índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, indicando enfraquecimento global da divisa norte-americana.

Bolsa brasileira bate recorde histórico
O ambiente mais otimista não se refletiu apenas no câmbio. O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, renovou seu recorde histórico ao ultrapassar os 198 mil pontos.

A alta foi impulsionada principalmente por ações de empresas ligadas a commodities, como petróleo e mineração, além do fluxo consistente de capital estrangeiro. No acumulado de 2026, o índice já registra ganhos expressivos, refletindo a confiança dos investidores no mercado nacional. 

Petróleo e tensões ainda no radar
Apesar do alívio momentâneo, o cenário internacional segue instável. O preço do petróleo chegou a ultrapassar US$ 100 durante o dia, influenciado pelas tensões no Oriente Médio e pelo bloqueio de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.

Ainda assim, as cotações perderam força após sinais de possível negociação, mostrando que o mercado segue sensível a qualquer mudança no cenário geopolítico. O barril do tipo Brent crude oil fechou em alta de 4,36%, cotado a US$ 99,36, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 2,6%, a US$ 99,08.

Tendência depende de fatores globais
A trajetória recente do dólar indica um período de maior otimismo, mas analistas apontam que a manutenção desse cenário dependerá principalmente de fatores externos, como a evolução de conflitos internacionais e a política monetária dos Estados Unidos.

Internamente, o diferencial de juros e o fluxo de investimentos continuam sendo pilares importantes para sustentar a valorização do Real.

Para o consumidor e o investidor, o momento pode representar oportunidades (seja em viagens internacionais mais baratas ou em aplicações financeiras), mas ainda exige cautela diante da volatilidade típica do mercado cambial.

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