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Construtoras sugerem nova linha de crédito atrelada à poupança

Proposta, apresentada ao Banco Central, prevê taxa de juros anual em 5%, inferior à média de 7,5%

10 abr 2020 - 09h13   atualizado em 02/12/2025 às 09h44
Construtoras sugerem nova linha de crédito atrelada à poupança Objetivo é manter o mercado imobiliário aquecido, diante da pandemia do coronavírus (Agência Brasil)

Empresários do setor de construção civil estão estudando formas de não 'barrar' o aquecimento do mercado imobiliário no país. As construtoras, pensando no pós-crise da pandemia do coronavírus, levaram ao Banco Central (BC) a proposta de criação de uma nova linha de financiamento da compra de imóveis. Segundo o projeto, a taxa de juros seria atrelada à remuneração da caderneta de poupança e abaixo da média de mercado. 

A ideia é começar a articular essa questão agora para o lançamento mais adiante, após o turbilhão causado no mundo pelo Covid19. Com estandes de vendas fechados, resta às construtoras procurar maneiras de reaquecer mais rápido os negócios.

O projeto é de autoria da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e prevê que seria possível oferecer aos consumidores uma taxa de juros em torno de 5% ao ano, patamar inferior à média de 7,5% praticado nas linhas com recursos captados na poupança – principal fonte de onde os bancos tiram dinheiro para financiar a aquisição de empreendimentos.

A caderneta está rendendo hoje 2,62% ao ano mais Taxa Referencial (TR). "Se o banco captar esses recursos e emprestar aos consumidores com um ganho de 2 pontos porcentuais, mais alguma folga, seria possível oferecer uma taxa de 5% ano nessa linha", afirma o presidente da Abrainc, Luiz França. "É uma medida que servirá de estímulo às vendas de imóveis, mas sem prejudicar os bancos, porque garante o spread para a instituição financeira", diz França. "Se o consumidor estiver em dúvida nessa crise, tenderá a decidir comprar o imóvel, porque é um juro baixo", falou.

A atenção, agora, está totalmente voltada a medidas que amorteçam o baque econômico nos contratos de financiamentos imobiliários. Nesse sentido, os bancos concederam carência de 60 dias para o pagamento das prestações e cogitam ampliar esse prazo caso necessário, para que o volume de imóveis retomados não volte a crescer como no passado.

Nova modalidade
No último ano, o portfólio de financiamentos imobiliários cresceu no Brasil, puxado por lançamentos da Caixa Econômica Federal. O banco criou duas novas modalidades, sendo uma relacionada à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e outra com juros pré-fixados. Entre os concorrentes privados, o apetite foi apenas pela linha sem correção. Isso porque esses bancos veem na inflação um risco maior para os tomadores por conta da variação do indicador.

No caso da nova modalidade de crédito sugerida pelas construtoras, essa visão também vale. Os juros do contrato de financiamento podem oscilar de acordo com a remuneração da poupança, que é variável.
Pelas regras do Banco Central, a caderneta rende 70% da taxa básica da economia, a Selic, mais Taxa Referencial (TR), quando a Selic está abaixo de 8,5%. Hoje isso equivale aos 2,62% citados anteriormente. Mas, quando os juros estiverem acima de 8,5%, o rendimento da poupança passa a ser de 0,5% ao mês mais a TR. Assim, esse valor seria de 6,2% ao ano.

Fator de risco
O fator de risco é semelhante à da linha de crédito lançada pela Caixa Econômica Federal no ano passado em que a correção da taxa é ligada ao IPCA. A Caixa anuncia essa opção de crédito com taxas anuais entre IPCA mais 2,95% e IPCA mais 4,95%. Quando a inflação está baixa, o mutuário tem vantagem e paga prestações menores. Mas se o conjunto de preços da economia sobem, a prestação do financiamento também encarece.

O presidente da Abrainc falou que sua proposta tem uma vantagem. "Na modalidade que estamos sugerindo, o risco é baixo para o tomador, porque a remuneração da poupança tem a trava de 6,2% ao ano, mesmo que a Selic dispare para 10% ou 15%. Na linha do IPCA não tem trava".

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