Para Horácio Figueira, o aumento dos sinistros está diretamente relacionado à falta de fiscalização
(Imagem: Felipe Barros)
Dois acidentes recentes em Alphaville voltaram a chamar atenção para a segurança no trânsito da região. Em agosto, um carro capotou na Alameda Araguaia e outro acidente semelhante foi registrado nas proximidades do Shopping Tamboré. Embora os casos tenham ocorrido em momentos distintos, eles colocam em evidência um problema que permanece no cotidiano das cidades: os sinistros de trânsito.
De acordo com dados do Infosiga, sistema do Detran-SP, Barueri e Santana de Parnaíba somaram 379 sinistros não fatais entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, foram 410 ocorrências. Apesar da redução de 7,6% no conjunto dos dois municípios, o cenário é diferente quando as cidades são analisadas individualmente. Enquanto Barueri registrou queda, Santana de Parnaíba apresentou aumento.
Segundo a entidade, Barueri registrou 324 sinistros não fatais entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, foram 368 ocorrências. O resultado representa uma redução de 12%.
Em Santana de Parnaíba, o cenário foi diferente. A cidade contabilizou 55 sinistros não fatais nos sete primeiros meses deste ano, contra 42 no mesmo intervalo de 2025. Houve, portanto, aumento de 31% nas ocorrências.
Fiscalização é o desafio
Para Horácio Figueira, especialista em engenharia de transportes, tráfego e mobilidade urbana, o aumento dos sinistros está diretamente relacionado à falta de fiscalização e à sensação de impunidade entre os motoristas. Segundo ele, o problema não é exclusivo de Alphaville ou das cidades da região, mas se repete em diferentes pontos do país.
“Não tem fiscalização. Isso vale para Alphaville, para Barueri, para Santana de Parnaíba, em qualquer cidade desse país”, afirmou à reportagem. Na avaliação do especialista, uma parcela significativa dos condutores comete infrações no dia a dia, como dirigir sem cinto, usar o celular ao volante, fazer conversões sem sinalização, ultrapassar o limite de velocidade e avançar o sinal vermelho.
Entre motociclistas, Figueira considera o cenário ainda mais preocupante. “Hoje, 70%, no mínimo, dos condutores de automóveis, se você acompanhar discretamente, vão estar cometendo algum tipo de infração. Para as motos, esse percentual pode chegar a 90% ou 95%”, destaca.
Para mudar esse comportamento, o especialista defende uma fiscalização permanente, associada a ações educativas. Entre as medidas citadas estão radares, sinalização adequada dos limites de velocidade, abordagens de veículos no momento da infração e operações de fiscalização durante todo o dia.
“Isso associado a ações educativas. Tem que fazer ação com a mídia impressa, digital, de todas as formas possíveis, colocar placas educativas, convidando à cidadania. Só que só isso não basta”, avaliou.
Horácio apontou ainda que a redução depende de uma atuação conjunta entre municípios e Estado, com fiscalização, educação e cobrança pelo cumprimento das regras. “A hora que as pessoas perceberem que isso é para valer, elas mudam os hábitos”.